Preconceito: adversário a ser driblado

03/11/2012

Quando futebol e cinema se confundem… 

Divulgação

Em New Jersey, Gracie. Em Dois Riachos, Marta. No lugar de bonecas e maquiagens, a bola. No cinema, a história real de Elisabeth Shue, que na trama atende por Gracie – a única menina numa família de três irmãos. Todos apaixonados por futebol. Na vida real, uma história semelhante da de cinema. Uma garota boa de bola, que vivia sobre a pressão do irmão mais velho José. Em ambos, o preconceito se materializava através da família.

O motivo se restringia ao fato de que as duas meninas, Marta e Gracie, deram vez ao coração e persistiram em seus sonhos. Se não sabiam que para se tornarem jogadoras de futebol significava quebrarem paradigmas, dentro de casa tiveram bons indícios de que não seria nada fácil. Ainda pequenas, aprenderam a conviver com o machismo sem o saber.

Diferente de Gracie, que perdeu o irmão mais velho – e seu único protetor – Bowen, também jogador de futebol, num acidente de carro, e mais tarde preencheu a lacuna, ao integrar a mesma equipe, Marta e José, hoje, riem de um passado, não tão distante, no qual o irmão se valia do porte físico para bater em Marta – a menininha que tinha o dom dos homens. A contragosto, seguiu. Seguiu como se soubesse que cada tapa seria recompensado.

O desafio de uma foi se adequar ao universo masculino. Literalmente. Gracie conquistou o lugar deixado pelo irmão e teve de se submeter às adaptações físicas, nada fáceis para uma menina. Já a outra, primeiro, aprendeu a não dar créditos às investidas da família, quando faziam de tudo para que ela desistisse da carreira.

Marta aprendeu bem cedo que “coisa de mulher” era batalhar e não vestir cor-de-rosa. Elisabeth Shue e Marta quebraram tabus, mas foi a brasileira quem se deu melhor. Ninguém acreditava que a alagoense, que fugia de casa para dar olé nos marmanjos da rua, fosse se tornar referência no futebol feminino. Como melhor jogadora do mundo, conquistou a mesma quantidade de estrela que a Seleção Brasileira em copas. Abocanhou cinco prêmios entre 2006 em 2010. Aliás, nenhum homem jamais ganhou tantas vezes.

José e a mãe Tereza, que gritava “Não fique jogando com os meninos. Você é uma garota”, tiveram de se render e aceitar que a caçulinha fosse considerada o Pelé de saia. O apelido surgiu aos 16, quando ainda jogava pelo Vasco, no Rio de Janeiro. Um ano depois, já com a verde-amarela, abriu a coleção de ouros com a seleção no Pan-americano de São Domingo. Aos 18, trocou de continente e foi parar na Suécia. Lá, a garota do sertão brasileiro, teve como principal adversário o frio.

Longe do Brasil há oito anos, no mês passado, Marta recebeu um convite para atuar no Vitória de Pernambuco, que disputará a Libertadores em novembro. O empréstimo aconteceria no período em que estivesse férias do Tyresö da Suécia, atual time da atleta.

Em entrevista à Globo.com, o presidente da equipe pernambucana, Paulo Roberto Arruda, diz que a camisa 10 do Brasil não hesita em dizer sim.

– Já tivemos um contato e acertamos tudo. Ela quer vir, voltar ao Nordeste, ficar perto de casa. Se o clube sueco aceitar liberá-la sem custo, Marta vai vestir a camisa do Vitória – espera.

Mesmo eliminada dos Jogos Olímpicos, junto com a seleção, e a quebra da hegemonia no prémio de melhor futebolista do ano, Marta continua no topo das listas. No último dia 25, foi indicada para Bola de Ouro da Fifa e France Football. A escolha foi feita pelas capitãs, treinadoras e treinadores das seleções nacionais. Entre as 10 finalistas, Camille Abily, as americanas Carli Lloyd, Alex Morgan, Megan Rapinoe e Abby Wambach, a canadense Christine Sinclair e as japonesas Miho Fukumoto, Aya Miyama e Homare Sawa, vencedora da última edição.

Atletas que não representam 1% do elenco espalhado pelo mundo, mas que, possivelmente, assim como Gracie, no cinema, e Marta, na realidade, não desistiram. O preconceito é tão recente que, em 1964 (menos de 50 anos), o Conselho Nacional de Desportos proibiu a prática de futebol feminino no Brasil. Os médicos alegavam que o esporte afetava os órgãos reprodutivos da mulher. Somente em 1981 (pouco mais de 30 anos) a decisão foi alterada.

 Para quem sabe o que quer, o preconceito é apenas um adversário. Basta um drible para marcar o gol. No futebol e na vida. Foi assim com Elisabeth Shue, Marta e outras milhares.

* trabalho da disciplina de Cinema, Esportes e Representações, ministrada por Gustavo Bandeira – pós em Jornalismo Esportivo. 


A primeira vez não se esquece!

17/07/2011

Com uma vitória HEROICA em 2 a 2, a equipe do Japão se consagrou CAMPEÃ DO MUNDO. Foi um jogo de tirar o fôlego, daqueles para provar que a partida só termina após o apito final.

Os gols foram marcados por Morgan para as americanas e Miyama para as japonesas ainda nos 90 minutos. Na prorrogação, as americanas saíram na frente com Wambach, de cabeça, e Sawa empatou, de CALCANHAR, nos minutos finais da segunda etapa. Foi uma coisa linda de se ver, o título precisou ser decidido nos pênaltis!

Festa das campeãs! (Foto: Divulgação FIFA)
Festa das campeãs! (Foto: Divulgação FIFA)

Seria a vez das goleiras brilharem. As americanas pareciam sentir o peso do empate nos últimos minutos, as duas primeiras cobranças pararam nas mãos da goleira japonesa, Kaihori, e uma parou no travessão. Hope Solo ainda pegou a cobrança de Nagasato, mas não foi o suficiente para travar a equipe do Japão.

Um título inédito, histórico e merecido para uma equipe que não se entregou em nenhum minuto. Lutaram até o fim e servem de exemplo para as próximas gerações.

Parabéns ao Japão pela conquista! O Salto Alto FC tem orgulho de relatar histórias como essa.


Foi por muito pouco… Mas não deu dessa vez de novo!

10/07/2011

Outra pedra no meio do caminho do Brasil voltou a dar as caras, depois de quatro anos. Só não foi a Alemanha. Os EUA penaram, mas conseguiram vencer as meninas do Brasil depois de um longo jogo, com 30 minutos de prorrogação e cobrança de pênaltis. É mais uma grande seleção que cai nas quartas de final da Copa do Mundo de Futebol Feminino.

Wambach levou os EUA às penalidades e à classificação para a semifinal (foto: Getty Images)

Mas não pensem que a Seleção Feminina Brasileira foi eliminada porque foi ou é inferior que as adversárias ianques. Pelo contrário, o time de Kleiton Lima, liderado pela sempre craque Marta, se mostrou superior durante quase todos os mais de 120 minutos de confronto. Saiu perdendo no comecinho do jogo num vacilo bobo da zaga. Infelizmente não era mesmo o dia de Daiane.

O empate custou a acontecer, só lá no segundo tempo, quando o brilhatismo de Marta, que passou muito bem marcada durante todo os 45 minutos iniciais, resolveu trazer o jogo ainda mais pro lado brasileiro. Sim, porque teve bola no travessão, bons lances de Cristiane, Fabiana e Rosana. Não faltaram chances pra matar a partida ainda nos dois tempos normais.

As americanas jogavam no erro brasileiro, e se baseavam na forte marcação, sempre antecipada às tentativas ofensivas das nossas atacantes. A única arma perigosa que elas tinham era a jogada aérea, que sempre levava perigo ao gol de Andreia. Pois foi essa mesma traiçoeira bola aérea adversária que mudou o curso do jogo e acabou com o sonho brasileiro, uma revanche que esperou muito para acontecer (Olimpíadas, 2008).

O Brasil conseguiu o empate com Marta ao sofrer falta dentro da área depois de dar dois chapéus nas defensoras americanas. Buehler não curtiu, fez a falta e pagou o preço com o pênalti e a expulsão. A cobrança inicialmente tinha sido cobrada por Cristiane e foi defendido pela ótima goleira Solo, mas que no fim foi convertido pela camisa 10 brasileira depois da árbitra mandar voltar por uma invasão de uma jogadora americana na área no momento do chute de Cris.

Marta brilhou, chamou a responsabilidade e mesmo com a eliminação mostrou porque é a MELHOR (foto: Reuters)

Mas assim como o jogo tava para a Marta, que também logo no início da prorrogação marcou seu segundo gol em mais uma jogada genial, também estava para a goleira Solo, que fez a diferença em grandes defesas durante o jogo e na cobrança final de penalidades.

Os EUA conseguiram o empate no último tempo da prorrogação só nos acréscimos, depois de muita pressão, mesmo com uma a menos em campo. A bola aérea que elas tanto ensaiaram, no fim, cumpriu seu papel com Wambach, a jogadora mais experiente do time americano.

Pois foi essa mesma experiência que realmente foi crucial para levar mais uma vez as norte-americanas adiante na competição. A cautela na marcação e o oportunismo com 100% de aproveitamento nas penalidades faz delas especialistas no esporte. Elas não tinham o poder ofensivo do Brasil, mas compensaram nos outros setores. As cobranças de pênalti foram um show à parte, todas muito bem batidas.

Tal experiência foi o que faltou às brasileiras, não só na hora de segurar a vantagem e o resultado, como na hora de conter o nervosimo, a pressão. As diferenças entre ambos os times sim, são várias, mas na minha opinião, a principal continua sendo o fator humano, o fator profissional.

Nos EUA as mulheres são valorizadas no futebol e conseguem viver dele, não é à toa que Marta e Maurine estão lá. Elas têm estrutura e condições de exercer a profissão, além de salários dignos. Coisa que a maioria das meninas da Seleção não têm. Kleiton pouco usou o banco, porque de fato é difícil repor o que tinha em campo. Os motivos também são os mesmos citados acima.

Pois mesmo com a derrota, que quando acontece assim no detalhe é um tanto mais dolorida, nos orgulhemos do que foi apresentado por essas mulheres, que chegaram tão longe, com tão pouco, além do talento e da vontade. Marta, hoje, além de melhor jogadora do mundo, também é a maior artilheira em Copas, com 14 gol. Posto que divide com a alemã Birgit Prinz.

É.. Brasil… Não foi dessa vez, mas um dia vai ser. Ah se vai!

Brasil 2 (3) x (5) 2 Estados Unidos

Gols:
Brasil: Marta, aos 23min do segundo tempo, e Marta, a 1min do primeiro tempo da prorrogação
Estados Unidos: Daiane (contra) a 1min do primeiro tempo, e Wambach, aos 17min do segundo tempo da prorrogação

Brasil: Andreia; Aline Pellegrino, Daiane e Erika; Fabiana, Formiga (Renata Costa), Ester e Maurine; Rosana (Francielle); Marta e
Cristiane. Treinador: Kleiton Lima

Estados Unidos: Hope Solo; Krieger, Buehler, Rampone e Le Peilbet; O’Reilly (Heath), Boxx, Lloyd e Cheney (Rapinoe); Wambach e Rodríguez
(Morgan). Treinador: Pia Sundhage

Fonte: Terra Esportes


Quartas de final definida com parada duríssima para o Brasil

07/07/2011

Os grupos C e D fecharam a rodada final da primeira fase da Copa do Mundo de Futebol Feminino deixando para a próxima alguns confrontos um tanto difíceis, mas clássicos. E claro que sobrou pro Brasil a parada mais dura destas quartas de final.

Sim, porque nem mesmo a vitória tranquila sobre a seleção de Guiné Equatorial livrou nossas meninas do que estava por vir. Graças à Suécia, que resolveu crescer no momento certo e venceu os EUA por 2 a 1, em Wolfsburg. O resultado positivo das escandinavas colocou as norte-americanas no caminho da seleção brasileira.

Vibração sueca em vitória contra as norte-americanas (foto: AFP)

A seleção europeia mostrou sua força e provou que os 100% de aproveitamento até agora não foram por acaso. O jogo com as sempre favoritas americanas foi bastante disputado, mas as suecas conseguiram ser soberanas abrindo a vantagem por dois gols de diferença ainda na etapa inicial, o primeiro marcado em cobrança de pênalti por Dahlkvist e o segundo feito por Fischer, em uma cobrança de falta.

O desconto dos EUA veio no tempo final, em um desvio de cabeça de Wambach. A Suécia ainda teve o terceiro gol anulado aos 44 minutos, num erro da bandeirinha que viu impedimento no lance. As suecas fecharam a fase de grupos em 1º lugar, seguidas pelas norte-americanas.

O outro jogo do grupo C, só para cumprir tabela, foi entre Coreia do Norte e Colômbia, que ficaram em um empate sem gols fechando a participação na Copa, ambas seleções com um ponto apenas.

Australianas garantiram a classificação para a próxima fase (foto: John Macdougall/AFP)

No grupo D, mesmo do Brasil, a Austrália venceu a Noruega por 2 a 1, em Leverkusen, garantindo o 2º lugar do grupo e a classificação. As australianas, que conseguiram a virada pra cima das europeias, conquistaram a vitória com dois gols de Simon e o gol norueguês foi marcado por Thorsnes.  A Autrália enfrenta a Suécia no próximo domingo (10).

Brasil e EUA vão duelar pela vaga para as semifinais também no domingo, meio-dia e meia, em um clássico que tem tudo pra ser um dos melhores de toda a competição. É a seleção da melhor jogadora do mundo (5 vezes), contra a seleção bicampeã mundial…. Promeeete!


Fonte: Terra Esportes e Band.com.br


E na rodada de hoje, deu Japão e Inglaterra

02/07/2011

As japonesas venceram as mexicanas com o amplo e tranquilo placar de 4 a 0, jogo válido pela segunda rodada do grupo B da Copa do Mundo de Futebol Feminino.

Goleada japonesa comandada por Sawa (esq.) (foto: Reuters)

Em Leverkusen, as orientais bateram com propriedade as latinas, com destaque para a capitã Sawa, que não só honrou a faixa de líder do time, como a camisa 10 que estava usando. Sawa marcou três gols, e claro, foi o nome do jogo. O quarto gol foi marcado por Ohno.

E ainda no mesmo grupo, a Inglaterra derrotou a Nova Zelândia por 2 a 1, em uma partida um pouco mais equilibrada na Alemanha. Sim, porque não foi fácil para as inglesas saírem com a vitória, já que começaram o confronto perdendo, com um gol da neozelandesa Gregorius.

Alívio das inglesas no gol da virada (foto: Getty Images)

No segundo tempo as europeias conseguiram o empate e a virada com gols de Jill Scott e Jessica Clark, respectivamente.

Com o término da rodada, a seleção do Japão segue líder do grupo com 6 pontos, seguida da Inglarerra com 4 pontos, México em terceiro com 1 ponto e a Nova Zelândia sem marcar pontos. Os próximos confrontos serão entre Japão x Inglaterra, México x Nova Zelândia, dia 5.

Fonte: Terra Esportes


Noruega vence e divide a liderança com o Brasil

30/06/2011

E a estreia do grupo D na Copa do Mundo de Futebol Feminino foi um prenúncio do que estava por vir nos dois jogos que marcaram a rodada da competição. A exemplo da Seleção Brasileira, a Noruega venceu a equipe de Guiné Equatorial com o placar apertado de 1 a 0, na primeira partida do grupo, na manhã de hoje.

Sufoco e alívio: norueguesas conseguem a vitória no final do jogo (foto: AP)

O motivo da comparação? Bom, ambas seleções eram favoritas no confronto, ambas venceram com o mesmo placar, ambas tiveram muitas dificuldades de manter o resultado e no fim das contas, ambas dividem a primeira colocação de forma igual.

O gol das norueguesas só foi acontecer aos 39 minutos da etapa final, depois de muito trabalho, já que as africanas não deram refresco e fizeram um bom desempenho, apesar da derrota. A Noruega, que já foi campeã mundial em 1995, teve seu único gol marcado por Haavi.

A segunda rodada da Copa do Mundo começa amanhã às 13hs com Canadá x França, e às 15h45 com Alemanha x Nigéria. O Brasil só volta a jogar dia 3 de julho, contra a Noruega, jogo bom que promete, hein!


Fonte: Terra Esportes


E ainda na Copa… Suécia vence a Colômbia!

29/06/2011

E na estreia do grupo C na Copa do Mundo de Futebol Feminino lá na Alemanha, mais precisamente no BayArena, em Leverkusen, a Suécia saiu na frente com uma vitória simples de um gol de diferença sobre as colombianas.

Suécia comemora primeira vitória na competição (foto: AP)

As suecas abriram o placar logo aos 12 minutos de jogo, com a atacante Landstrom. A Colômbia não ofereceu muita resistência para as europeias, o que fez o jogo seguir com o domínio da Suécia, apesar das poucas jogadas de criatividade durante todo o confronto.

Jogo bom, jogo ruim, a Suécia fez o dever de casa, conquistou os três pontos e segue junto com as americanas nas primeiras colocações do grupo C, só perdendo no número de gols feitos. Colômbia e Coreia do Norte, sem pontos, dividem a lanterninha.

***E NÃO ESQUEÇAM! Amanhã tem a SELEÇÃO BRASILEIRA em campo contra as australianas. É às 13h15, transmissão da Band em canal aberto.


Fonte: Terra Esportes


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