País do futebol

06/05/2014

Seria um jogo normal, no qual eu mesma iria prestigiar se não fosse o susto que levei. Me redirecionei até o guichê de compra de ingresso. Escolhi uma partida da Libertadores para aproveitar aquele meu momento de brasileira e torcedora. Foi aí que começou o meu pesadelo.

– Um ingresso de arquibancada inferior.

– R$120,00.

– Moça, eu só pedi 1.

– Sim, sim. Este é o valor. Se você for estudante, dá para comprar pela metade do preço.

– Não. Não sou. Sou trabalhadora mesmo.

– É! O ingresso mais em conta é esse, por 120 Reais.

Óbvio que não comprei e sem sombra de dúvida saí dali com vontade de me pronunciar sobre o país que se diz a Pátria de chuteiras. Que chuteiras seriam essas? Da Nike? Que país é esse que cobra um valor absurdo em cima de um ingresso no qual a população que prestigia batalha por um prato de feijão à mesa todos os dias. Não seria estranho perceber que nossos estádios não ficam mais lotados, não são mais coloridos e não se escuta mais vozes cantantes. Afinal, o padrão FIFA proporcionou uma nova população que adentra aos parques esportivos.

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Entender o que está se passando com o futebol brasileiro é complicado quando você apenas quer se sentar numa cadeira e comemorar com o cara do lado o gol do seu time. Compreender a fusão que as grandes indústrias e o marketing estão fazendo com o nosso esporte é complicado para o povo. E quando falo ‘povo’, quero ilustrar aquelas pessoas que ganham um salário mínimo mas se escabelam para comprar um ingresso e ir de ônibus até o jogo.  Famílias que iam com até dois filhos no colo já não estão mais ali. Pessoas de todas as classes também não. O que se vê é um povo selecionado e aquele sócio que engole o valor mensal para conseguir ir nos campeonatos.

Isso tudo se deve a quantos motivos? Aqueles mesmos que fizeram o futebol brasileiro evoluir e parar de fabricar craques e ídolos? Aquele mesmo que fez os dribles bonitos se ofuscarem e apenas escândalos de festas e bebedeiras ficarem em evidências? Aquele mesmo que apagou da memória do próprio jogador a vontade de se mostrar bom de bola e apenas querer brilhar na próxima campanha daquela marca de roupas. É triste, torcedor, mas você terá que se conformar. O normal agora é pagar por pacotes de esporte na TV a cabo. Ou para os mais espertos, puxar o gato do Payperview e conseguir acompanhar os jogos de graça. O que deveria ser de fácil acesso para um país do futebol custa mais do que muita hora mensal trabalhada. Mas ninguém lembra disso na hora de gritar gol.

Talvez você ache que fui radical demais, afinal, se não quer pagar, não reclame e não vá ao Estádio. Mas eu queria perguntar, amigo leitor, você realmente acha que nasceu no país da pelada?


RIP Futebol brasileiro

19/04/2014

Sabe a saudade? Aquele sentimento que nos faz ficar com a boca seca, o coração apertado e a ansiedade lá em cima? É esse sentimento que o torcedor do bom futebol está sentindo nesse instante. Não só pelos valores exorbitantes de gastos seja com estádio, seja com salário. Também não me refiro aos tempos de Mané Garrincha, Pelé e cia ltda. Estou falando de decência.

Ontem presenciamos algo inenarrável no gramado, mas mesmo assim vou tentar descrever em um resumo. A Portuguesa entrou em campo na noite de sexta-feira para a partida válida pelo Campeonato Brasileiro Série B contra o Joinville, na cidade catarinense. Porém, aos 17 minutos do primeiro tempo a partida foi encerrada pelo delegado do campo Laudir Zermiani que trazia em mãos uma liminar que decretava que a Portuguesa não poderia seguir participando daquele jogo e nem por todo o campeonato. Neste ano, um torcedor da Lusa e também advogado conseguiu um ganho na justiça que devolvia para o time os 4 pontos perdidos na Série A do ano passado (pontos esses que fizeram o time ser rebaixado). O descumprimento dessa liminar poderia fazer com que a Portuguesa levasse um processo nas costas em razão de uma queixa crime. Moral da história: o bolo ficou tão abatumado que o time paulista corre o risco de ser punido e ir parar na Série C.

Não quero expôr aqui toda a história e o possível desfecho que essa novela irá levar. Quero questionar sobre o que está acontecendo com o nosso esporte? É triste termos que sentir saudade dos tempos que o futebol era simples. Que os jogadores não ostentavam dinheiro. Que o esporte não competiam com as propagandas. Que a função do atleta era alegrar o país com um gol e só. O que o povo todo assistiu ontem foi um episódio ocorrido no país que em menos de 2 meses vai receber a Copa do Mundo (irônia?). É lamentável um time como a Portuguesa ter que passar por esse sufoco e também vergonha de estar alinhado a uma tramóia que o homem proporcionou. O Campeonato Brasileiro de 2013 foi marcado por liminares, tribunais, justiça (ou a falta dela) e desespero.

Mas e agora? Será que os próximos campeonatos serão sempre assim? Será que teremos que assistir a mais julgamentos do que bola em campo? Será que é necessário pagar jogadores caríssimos para nada, já que quem define mesmo é o órgão responsável pelo futebol brasileiro? Não quero criar polêmico e nem cavar mais ainda esta ferida, quero colocar a minha voz na internet e mostrar que não estou satisfeita com o que eu estou vendo. Não quero aqui dizer que o Fluminense merecia cair ou que outros times conhecidos são sempre beneficiados no final. Quero ser a favor do bom e do melhor. Quero aplaudir um gol de placa, quero vaiar os carrinhos violentos, quero gritar “é campeão”, quero vibrar com a Seleção… Estou pedindo demais?


Devolvam a graça do meu grenal

30/07/2013
Decisão da BM deixa Grenal de uma só cor - Foto: Divulgação

Decisão da BM deixa Grenal de uma só cor – Foto: Divulgação

Leia também: POR UM GRENAL COM AS DUAS TORCIDAS

Passei o dia tentando digerir a manchete dos sites esportivos e chamadas no Facebook. Sério mesmo que embora eu tenha a noção de que não se pode passar em branco a decisão da Brigada Militar em relação ao Grenal 397. O primeiro Grenal da Arena. A primeira vez em que o Internacional entraria no gramado do novo estádio do arquirrival.

Entrada adiada: Grenal de torcida única. O que dizer? A marginalidade venceu, visto que a afirmação da polícia é que não teria condições de dar segurança aos torcedores do Inter no deslocamento até o palco da partida. A falta de espírito esportivo?

Sete anos – hoje – se passaram desde que banheiros químicos pegaram fogo no Beira-Rio. Na época vi muitos gremistas indignados pelos atos de seus próprios torcedores. Hoje, ao ver declarações de ambos os lados à união de opiniões prevalece: Grenal é muito mais bonito quando a gente olha e vê aquele colorido, aquela divisão forte entre uma cor fria e uma cor quente: ambas fortes e vibrantes.

E o pior: a tendência é de que essa situação se repita quando o mandante for o colorado. Acabaram com o brilho de um daqueles que eu considero o maior evento dessas bandas daqui. No entanto, não posso encerrar sem a pergunta: e você, o que acha? A culpa é de quem? Brigada? Torcida que não sabe se portar? MP que acatou?

Só sei que queria a graça do meu grenal de volta.


Falha no planejamento

28/07/2013

A verdade é que ninguém imaginava que o Inter perderia pro Náutico, ainda mais por 3 a 0.

Mas o PRÓPRIO Inter não poderia pensar assim.

D’Alessandro e Fabrício forçaram o terceiro cartão amarelo contra o SPFC. Damião e Índio foram preservados.

Tudo isso por causa do GRE-NAL.

Os três pontos do clássico são garantidos? Não, mas os de hoje poderiam ser.

Clássico é clássico! Todo mundo sabe que não há favoritos.

Enfim, deu problema no planejamento.


O Gênio da Lâmpada e os desejos da torcida

21/07/2013

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Nos bastidores do Estádio Olímpico dizem que Renato Portaluppi é conhecido por um apelido bem peculiar: Gênio da Lâmpada. Os motivos para essa “alcunha” seriam muitos, entre eles a capacidade de algumas proezas.

Coincidência ou não, depois da chegada do novo técnico situações interessantes acabaram acontecendo: passados 70 dias, Barcos voltou a fazer gols, Vargas anotou dois em uma mesma partida, o ambiente no estadio Olímpico teria mudado para melhor, a torcida pôde acompanhar um treino na Arena – e lotou a área da geral, e por aí vai.

Mas o Gênio ainda não conseguiu realizar alguns desejos da nação gremista. O desempenho da equipe segue mediano (Renato tem um empate, uma vitória e uma derrota), o clube continua fora do G4 no Brasileirão e ainda não venceu fora de casa (já são nove partidas como visitante sem voltar a Porto Alegre com três pontos.).

Depois da derrota para o Cricúma – com dois gremistas expulsos por bobagens, diga-se de passagem – a vontade dos gremistas com certeza era de que Portaluppi pudesse simplesmente esfregar as mãos e mudar tudo o que está errado, como faria o amigo de Aladin no conto das Mil e Uma Noites. Mas ao que tudo indica a esse ponto, o Gênio da Lâmpada ainda não chegou.

 


O legado de Luxa

18/07/2013

Se for parar pensar racionalmente sobre a passagem de Luxemburgo ao Grêmio, é possível afirmar que ela foi trágica.

Há quem diga que a campanha do Campeonato Brasileiro do ano passado empolgou, tanto é que uma vaga na Libertadores foi conquistada. Mas o que ela trouxe de bom? Nada. O Grêmio foi eliminado vergonhosamente na competição que era o principal objetivo do ano.

Não vale nem comentar a Copa do Brasil e a Sul Americana, né?

Mas não é de títulos ou vagas que quero falar.

Luxemburgo deixou um legado no Grêmio. Além de trazer jogadores que não deram resultado, como Fábio Aurélio e Cris, o profexô ainda dispensou atletas que, hoje, podem fazer falta no elenco de Renato.

Falo de Vilson, Gabriel e Marcelo Moreno.

O caso de Moreno é o mais gritante. O boliviano foi artilheiro do Grêmio na temporada passada e até agora não se sabe o real motivo do seu afastamento.

Hoje tá deitando e rolando no Flamengo.

Renato deve lamentar muito não ter essa peça de reposição em seu grupo. Até porque a fase do Barcos não é das melhores.

A boa notícia é que Moreno tem contrato de empréstimo com o Rubro Negro e pode voltar no final da temporada.

Mas será que não vai fazer falta durante o ano?


Hora de contratar

08/07/2013

Tá mais do que provado que para ser campeão brasileiro é preciso ter um grupo forte.

Todo ano o Inter é candidato ao título. Mas é bem verdade também, que faz tempo que não vê a cor dessa taça.

Já se foi Fred, Moledo… e até agora, só desembarcou o Jorge Henrique.

Tudo bem que o campeonato está no início, mas o Inter já perdeu pontos preciosos.

D’Alessandro deu a letra: é preciso contratar.

Acredito que dinheiro não falta, né? Afinal, o colorado fez um bom caixa com as últimas negociações.

O que falta então? Opções ou competência da diretoria?

Já passou da hora de reforçar o elenco.

Caso contrário vai ficar no quase mais uma vez.


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