Chega de saudades

06/04/2014

Para escrever a crônica de hoje, me baseei em apenas um poeta para conseguir repassar tudo o que eu queria e concluir com perfeição tudo o que eu vi ontem. Não apenas por ser uma amante do bom futebol ou ter escolhido o jornalismo esportivo como profissão. Hoje, a postura do linguajar jornalístico deixarei de lado. Apenas vamos falar de amor. E para me ajudar nesse texto eu “convidei” o dono da letra mais propícia para esse momento: Lulu Santos – Casa.

Fazia muito tempo que aquele caminho não era percorrido. Fazia muito tempo também que eu só me sentia um convidado, um estranho. Estranho não no sentido ridículo ou feio. Estranho no sentido de que você não era dali. Mas tudo isso mudou, foi vertigem, foi realização. Foram 487 dias  distante do meu casarão. Mas no dia 5 de abril de 2014 eu fechei meus olhos e deixei o corpo ir. Afinal, como toda o vício, aquilo já estava fazendo falta no corpo na mente. Era um líquido que não passava mais nas minhas veias. Era uma vivência que eu precisava sentir novamente. Era saudade.

Ao me deparar com a casa pronta, tinta fresca, cheiro de novo fiquei com as mãos geladas. Encontrei os outros moradores lá também. Chorando. Beijando as plataformas que fixavam as membranas. Um mar vermelho. Era como a música que minha saudosa mãe escutava na sala de estar ao esperar os convidados, só que a melodia que embalava esse retorno agora era outra. Devagar e com ansiedade fomos adentrando no pátio do nosso lar. Ao pisar no primeiro degrau daquela escada e assim terminar de subir até o fim do caminho, levantei minha cabeça e me deparei com o céu. Era alto, era colorido, era grande, era Inter.

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“Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…”

photo3As cortinas iriam subir quando terminasse a contagem regressiva. E quando finalmente a massa soou o número 1, as luzes foram acesas, o abraço veio caloroso. Me senti apertada com aquele calor que mexeu com todas as pessoas que estavam ali. A respiração ofegante de todos era o choro preso de quem sentia muita falta. Choro preso? Choro solto. Aquela água era a resposta positiva de que valeu a pena esperar. Ali perto de nós estavam milhares de pessoas deixando aquele retorno ainda mais especial, proporcionando dança e arte para todo mundo. Mas rever os velhos patriarcas na nossa frente contando histórias como se fosse um almoço de família e logo depois chegando para nos dar boas vindas. Não teve preço.

As vezes é tormenta pois tanta emoção assim não chega a caber dentro do peito e é necessário ter o bom amigo do lado para segurar a sua mão e mostrar que, realmente, aquilo tudo é verdadeiro. Eram 50 mil pessoas exalando emoção e mais não sei quantos amores dentro de uma pista lhe fazendo esquecer os problemas. Apenas se sentir em casa. Pois vamos combinar, não tem nada melhor do que a nossa poltrona, as cores que a gente escolheu, os vizinhos que queremos próximos. E claro, na vitrola tocava canções selecionadas por campeões da voz que souberam trilhar e escolher a melodia correta para cada momento. Seja dos badalados anos 70 com Blitz até a tecnologia dos arranjos musicais vindo de Fatboy Slim. “Bem vindos de volta” era apenas esse sentimento que regia.

Eu fui também e me senti em casa sim. Nós na condição de jornalistas também vivenciamos cada momento e cada angústia de todo e qualquer pessoa presente no local. E aquela também é a nossa casa. A cada domingo é lá que estamos e se sentir bem também é fundamental para nós. Estarei em cada lugar que um torcedor estiver e acredito que o poder da cor é necessário para nos sentirmos parte daquele lugar. Eu ontem vesti vermelho e também estou voltando pra casa de vez.

Quem vos escreve

Quem vos escreve


Aos trancos e barrancos, Porto Alegre

26/03/2014

Ahh Porto Alegre. Cidade tão calorosa e acolhedora que tanto nos deixa orgulhoso. Seu céu azul deslumbrante mantém o brilho vivo de um clube que estampa em seu passado o poder magistoso de uma história de conquistas. Uma história que contempla suor castelhano, língua estrangeira e não diferente disto orgulha-se de ser o primeiro gaúcho a ganhar a América. Do outro lado leva no seu sangue vermelho vida, vermelho guerra, o mesmo vermelho do clube que traça em seu livro a dedicação dos seus primeiros peões, dos seus cansados homens e que hoje são a alegria de milhares de pessoas. É, Porto Alegre, você caprichou no nosso presente e não seria diferente no dia de hoje o nosso sincero parabéns.

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Mas não. Hoje seremos impares.

O que está acontecendo com a nossa cidade, que hoje completa honrosos 242 anos, é a imensa enrolação que o povo gaúcho está assistindo tendo que assistir de camarote. No início da semana foi vomitado da boca dos nossos governantes (e falo nosso por que me sinto na obrigação de dar posse ao que não se deve competir a tal altura) que esta cidade poderia não abrigar a Copa do Mundo. Bem, condições ninguém neste país tem, mas o real motivo de tal ameaça ser feita foi referente à aprovação das isenções fiscais em prol da construção das estruturas temporárias. Ontem (24/03) o plenário aprovou, com 31 votos favoráveis e 19 contrários, o projeto que prevê a concessão de incentivo fiscal de até R$ 25 milhões a quem financiar as obras do entorno do Estádio Beira Rio.

Mas espera aí só um pouquinho. O povo está pensando que o dinheiro público vai retornar ao bolso de vocês? Vou “largar a barbada”, essas isenções não competem para o Estado todo e sim para uma partezinha dele. Também não se engane achando que o Sport Club Internacional sairá de patrão nesses transmites que de bom ali pouca coisa vai sair. Ficar um ano e tanto sem estádio, quase ser rebaixado naquele ano, ficar sem torcida por vários jogos, pagar uma fortuna por novas reformas, dividir por 20 anos o espaço, que sempre foi seu, com uma empreiteira. Mas no final, a Copa acaba no pão e circo e disso que o bom brasileiro gosta.

Sou jornalista, trabalho com esporte, amo eventos grandiosos. Trabalhar na Copa do Mundo é sim um sonho, mas não sou a favor da Copa. Sou a favor da vida. De repente, aqueles mesmo guerreiros de alma estrangeira e de sangue guerreiro citados no início deste mesmo texto devam se unir e pedir de uma vez por todas o retorno dos incentivos fiscais acometidos por toda a sua carreira.

Ué, agora isso não vale? Para quem ainda não sabe o que comentar disto tudo, deixo um vídeo super bacana abaixo para que os amigos postem sua opinião linda, elegante e sincera.

Beijos


Gigante nascendo

20/03/2013

Começa nessa semana, se a chuva deixar, aquela que poderá ser a maior mudança no Estádio gaúcho que abrigará jogos da Copa do Mundo. A colocação da cobertura metálica que fará o entorno de todo o Beira Rio. A primeira grande mudança na velha casa colorada.

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Esse suporte metálico são semelhante a folhas. Folhas cobertas por uma membrana de politetrafluoretileno, composta de fibra de vidro e revestida com uma camada de teflon. Teflon esse que, se limpa automaticamente com a água da chuva, mantendo o monumento sempre limpinho. Ao total serão 65 folhas montáveis. Cada membrana dessas tem um prazo de validade de 30 anos. Elas serão fabricadas na Serra, em Nova Bassano e mediram cerca de 40 metros de altura. Cobriram toda a extensão das arquibancadas inferior e superior.

Mas como isso não é nada simples, os colorados só vão poder ver tudo pronto e bonito no final do ano. A previsão de finalização das instalações está marcada para dezembro.


12-12-12

12/12/2012
será que acaba mesmo?

será que acaba mesmo?

O mundo anda tão louco que nem ele sabe quando quer acabar: uns dizem que é em 21/12, outros dizem que é daqui a pouquinho às 12:12 do dia 12/12/12.  Tem os mais engraçadinhos que dizem que o mundo acaba quando o Corinthians levantar a Taça de campeão do mundo. Mas, se o mundo sobreviver ao 12:12 de 12/12/12 uma coisa acaba: a novela pelo novo técnico colorado.

Dunga chegou ao Brasil ontem. Estava na Índia. E, ao ser indagado pelos repórteres usou discurso de técnico. Me fez lembrar quando falei com ele lá em junho em um evento da Copa no Beira-Rio em que ele disse que estava começando a dar saudade da casamata.

Dunga já está em Porto Alegre - Imagem: divulgação

Dunga já está em Porto Alegre – Imagem: divulgação

“ As coisas não estão 100% porque o contrato ainda não foi assinado. Mas, amanhã, tenho uma reunião com o presidente e tudo se resolve”, respondeu afirmando que o que falta são apenas detalhes e – evidentemente – sua assinatura.

A apresentação que deve ser feita na tarde de hoje já tem resposta sobre um quesito caótico dentro do Beira-Rio. “Isso é notório, que não gosto de muita gente no vestiário. Chega um, conversa, muda o assunto. Quanto menos pessoas, melhor. Tem que ser uma coisa enxuta e que funcione.”

Vamos aguardar qual será a “enxugada” de Dunga. Alguém se arrisca?

 


Rumo ao Centenário

29/11/2012

Aquele antigo trajeto que tu fazia para ir assistir os jogos do colorado acaba de mudar de figura. Quem estava acostumado em acessar a Borges e depois a Padre Cacique, pode colocar mais gasolina no tanque e pegar a estrada, pois em 2013 para assistir o colorado, o torcedor terá que ir até Caxias do Sul no Francisco Stédile.

Felizes os torcedores da cidade da serra que terão a oportunidade de acompanhar os jogos direto de seu município de janeiro até agosto daquele ano. O Inter passará a transmitir suas partidas do Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil e início do Brasileiro na estádio do Caxias e, junto dele, dividir o Centenário. Sua capacidade original é de 32,822 pessoas. Único jogo que não será lá é o primeiro Gre-Nal do Gauchão, que será realizado no Colosso de Erechim.

Você que é sócio e acha que será prejudicado pela casa temporário do Internacional pode ficar relaxado. A direção já adiantou que os sócios em dia terão as mesmas regalias que tinham em Porto Alegre. Depois de agosto e que as reformas estarem estabilizadas, tudo volta para o Beira Rio.


Domingo de reencontros no Beira-Rio

03/09/2012

… e foram muitos, olha só:

De Dorival Jr com a torcida e jogadores do Inter;
De D’Alessandro com o gramado;
De Damião e, principalmente, de Forlán com o gol;
Do Inter com a vitória!

(Foto: Agencia O Globo)

(Foto: Agencia O Globo)

O colorado chegou chegando! Logo nos primeiros minutos, Fabrício teve oportuidade de ouro de abrir o placar mas acabou desperdiçando. O Inter parecia nervosismo e a falha de Muriel deixou isso bem claro.

Mas apesar dos nervos, o colorado jogava bem. Como há tempos não jogava. Será que foi por causa da volta do D’Alessandro? Não tenho dúvidas disso. O gringo sabe, como ninguém, conduzir a bola e levar o time.

Fred jogou muito bem. O guri tem ferramentas, é “enjoado” e incomoda. Tem tudo pra ser um grande jogador.

Mas o mais importante do domingo foi o camisa 7 ter desencantado. Era nítido, desde o primeiro jogo dele com a camisa do Inter, que o cara saber jogar bola. Mas precisava fazer gol. Agora que fez, espantou a zica. Tenho certeza que só tende a crescer.

Pro jogo contra o São Paulo, Fernandão tem desfalques importantes. Damião, Guiñazu e Forlán estarão a serviço de suas seleções e Fred está suspenso. Mais uma vez, o treinador colorado terá que se virar para escalar o time.

A goleada trouxe tranquilidade ao Inter? Não sei se por completo, mas já tira o pé do pescoço.

A missão agora é dar continuidade.

 

 

 


Sexta-feira 31 ou 13?!

01/09/2012

Podem inverter o 3 e 1 porque a sexta parecia 13 no Estádio Beira-Rio.

Tudo começou com um protesto armado pelas redes sociais na quarta-feira, após o colorado ser derrotado pelo Coritiba.

Chegamos no Beira-Rio para cobrir o treino e no caminho para a sala de imprensa, encontramos cerca de 50 torcedores. Passamos por eles e perguntamos aonde iam, um dos “líderes” respondeu: “estamos aqui para atucanar”. Seguimos o caminho.

No pátio, fomos barrados pelos seguranças da Andrade Gutierrez. Só era permitida a entrada de pessoas com capacete, em função das obras. Ficamos esperando cerca de 30 minutos do lado de fora, enquanto isso, ouvimos no rádio do segurança do Inter a seguinte frase: “invadiram, invadiram! Os caras passaram por cima dos seguranças e tão invadindo o campo”. Caos total. Ouvíamos foguetes.

Até que o segurança do Inter liberou a passagem. Quando chegamos no Beira-Rio, o depoimento dos colegas que já estavam lá foi tenso. Os manifestantes não só tentaram invadir o gramado, mas também agrediram a imprensa.

O alvo dos “torcedores”: presidente Giovanni Luigi.

A foto do colega Wesley Santos, da Agencia Press, simplifica a tarde no Beira-Rio.

(Foto: Wesley Santos - Agencia PRESS)

(Foto: Wesley Santos – Agencia PRESS)

Torcedor encapuzado?! Meu Deus do céu. O futebol é tão bonito por um lado, mas tão imbecil por outro. Aliás, isso não é futebol, isso não pode ser futebol. Isso é VANDALISMO.

O que pensam? Será que o Fernandão ficou mais tranquilo para comandar o treino depois desse caos? ÓBVIO QUE NÃO.

Por sinal, o treinamento atrasou em uma hora por conta da confusão.

Será que essa gente não tem noção que esse tipo de coisa só ATRAPALHA e tumultua um ambiente, que já não é dos melhores?!

Quem ouviu a entrevista do vice, Luciano Davi, pode perceber a cada palavra do dirigente um tom de nervosismo. O clima não é bom e a torcida não pode ajudar a piorar.

Quer protestar? Proteste no grito, no canto, na VOZ.

Violência e vandalismo só pioram as coisas.


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