Ética ou descaso?

19/09/2015

O assunto que correu durante pelo menos da metade da semana para cá foi da tal falta de minuto de silêncio no jogo entre Internacional x Corinthians para Clóvis Acosta Fernandes, o Gaúcho da Copa. Personagem símbolo tradicionalista que ficou conhecido por percorrer todos os jogos da Seleção Brasileira em Copas do Mundo pilchado. Clóvis faleceu decorrente de um câncer na madrugada de quarta-feira.

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A verdade do que realmente aconteceu para não ter a homenagem póstuma ao Gaúcho da Copa ainda não foi revelada à imprensa. Porém, uns dizem que não teve o minuto de luto pela figura símbolo ter identificação com o time rival. A outra versão que corre nos arredores do Beira Rio é que o pedido vindo pela CBF não ter vindo previamente com o documento padrão que geralmente é feito nesses casos.

Mas qual é a ética que marca a presença de tal ato marcado em estádios de futebol? Concordo que personagens símbolos da nossa história e que nos representam de alguma maneira devem sim ser lembrados com carinho em momento de partida. Porém, quantos outros se desprenderam da terra e nem ao menos foi comentado em alguma rede social?

Talvez, o fato de Clóvis ter a identificação com o Grêmio causou revolta da parte azul pela ausência de homenagem na casa colorada. Mas quero chamar a atenção para o seguinte acontecimento: neste ano, milhares de famílias gaúchas, de cidades próximas a Porto Alegre, ficaram sem teto por causa das enchentes. Quantos gremistas e colorados não morreram afogados ou com pneumonia decorrente de tanta água e umidade? Ou vamos até um pouco mais recente, com o surto de meningite na região metropolitana afetando principalmente crianças e adolescentes. Houve homenagem? Houve chamarisco? Houve revolta?

Acredito que o Gaúcho da Copa tenha representado sim o Rio Grande, mas é importante rever os conceitos de “quem merece” o rito de minuto de silencia em estádios de futebol. Um personagem, um ex jogador, um presidente ou uma massa que exempla todo um estado? É tempo de rever os conceitos e ficarmos nós um pouco em silêncio.


Crônica do irmão mais velho – o amor vem com o tempo

18/09/2015

Meu bom irmão, o mais velho vindo do ventre materno que chamamos de lar. Você ficou mais velho essa semana e eu, como um bom caçula, esqueci de te parabenizar no dia certo. Talvez considere isso como birra minha ou talvez ciúmes. Encare como quiser.

irmãos

O fato é que estou aqui para homenageá-lo, por mais que as brigas constantes fazem parte da nossa rotina. Ô se faz.

Escrevo-te de azul, sua cor favorita. Me reverencio pela quantidade de anos que está completando, afinal a minha juventude você não tem mais – hehe – porém eu gosto dessa sua experiência. É bom. Esse clima de rivalidade entre nós de quem faz melhor me diverte e muito.

Vou ser sincero, as vezes quero que você morra. E desculpe por publicar essas palavras tão… tão… macabras. Mas sei que o sentimento é recíproco. Lembra da primeira tunda que você me deu? Eu era apenas uma criança e você não teve dó nem piedade. A vingança veio tarde, mas chegou. Tive que criar uns músculos na perna para poder bater em você com a mesma força. Perdoe-me o trocadilho, mas precisei de uma CACHAÇA para chutar a sua canela 5 vezes.

Foi estranho quando você saiu de perto de mim. Éramos tão próximos. Vizinhos com tantas facilidades na hora das visitas (nem sempre de bom grato) e agora você se foi para longe. Preciso pegar um ônibus e um trem. Sua petulância de comprar uma casa nova e se exibir tão cheio de ar nesse peito me fez crescer também. Obrigado. Como sabemos, a minha casa reformada você já conheceu. Temos sorte, possuímos uma bela moradia. Acho que viramos gente grande e nem conseguimos dar conta de tanta responsabilidade que veio junto com as rotações da terra.

Quando você debutou no Japão senti muita inveja. Confesso. E quando você ganhou duas vezes aquele objeto dourado no qual tinha uma plaquinha com o seu nome. Fiz como meta crescer igualmente ou até maior que você. Queria ser um GIGANTE. E para a minha alegria, hoje esse é o meu apelido. Você, como um bom irmão mais velho, me deu aquele empurrãozinho. Via tantos grandes a minha volta, via tantas conquistas de bom tom. Também teria que deixar a minha assinatura.

Você se considera IMORTAL. Você sabe que as vezes eu faço piadas com essa sua nomenclatura. Não posso deixar a BOLA QUICANDO sem poder chutar um pouquinho. Me desculpe. Mas também já ouvi muitas flautas vindo do seu lado.

E quanto aquela imortalidade, te digo de coração: viva muitos anos. Viva o dobro, viva sempre. Impossível ficar sozinha nesse estado sem a tua presença. Impossível ser gigante sem duelar com imortais. Impossível sermos os melhores sem nos unirmos em datas especiais.

Eu sou de abril. Você virginiano de setembro. Então, pelo menos, quando o ano chegar no seu 9º mês eu virei aqui e te dar o meu abraço de parabéns. Mas só dessa vez. Pois nossas intrigas e discussões que fazem milhares de pessoas nos amarem.

Feliz aniversário.

inter e gremio


Querida emissora, somos gaúchos

26/08/2015

E não paulistas, cariocas… Por acaso temos cara de flamenguista ou são paulino?

futebol na tv

Não querendo evitar uma discussão, senhora emissora de televisão. Mas acho triste o fato de nós, gaúchos mateadores de erva amarga, termos que dividir o nosso aconchego de quartas e domingo com os demais estados do Brasil. Ora, não encare o meu comentário assim pelo lado negativo. Queremos sim saber o que está se passando com os nossos adversários de ponta, porém, não quero acompanhar sempre os jogos deles e somente deles.

Fazer com que mais pessoas vão ao estádio de futebol para não ficarem em casa assistindo pela TV aberta é bobagem. Pois encarar 90,00 de ingresso está longe da realidade do futebol brasileiro e também do bolso do torcedor. Aí não, né?

Agora chegar a ponto de curtirmos jogos da Copa do Brasil, Libertadores ou Sul Americana jogando o clássico Santos x Corinthians sendo que o RS, o estado mais bairrista que existe nesse país. Aqui não existe aquela palhaçada de ter torcedores gaúchos vestindo a camiseta do Vasco (ah não ser que essa pessoa seja nascida no RJ). Aqui ou tu é Inter, ou tu é Grêmio ou tenha sérias paixões e devoção pelo Cruzeirinho.Alguém sabe por acaso o que está se passando com a Super Copa Gaúcha ou o que está rolando no Campeonato Valmir Louruz? Talvez os feitos do Lajeadense e do Novo Hamburgo não tenha grande expressão para as emissoras abertas ou fechadas. Mas nós gostamos. E sim, curtimos o nosso ruralito em qualquer dia do ano e não só na época dos estaduais.

Talvez o sorteio dos jogos não tenha dado muita sorte pro pessoal do Sul, colocando tanto Inter quanto Grêmio na quinta-feira. Mas faz tempos que os nossos times não tem brilhado nos jogos das 10 da quarta-feira.

Temos o maior quadro social do país. Nossos times do interior possuem torcidas organizadas de ampla expansão (vida Brasil de Pelotas). O Juventude inclusive já jogou na série A. E se quisermos clássicos de verdade fora os da capital, temos o CaJu e o BraPel.

Caju

Seria gentileza e honra nos agraciar talvez, por que não, com  Série Ouro do campeonato de futsal. Ou a Série Prata. Sei lá, nos agrade.

Portanto, dona TV, foi ofertado um bom leque de possibilidades para que nos satisfaça. Pelo menos nós, os gaúchos.


Os bons morrem jovens

07/06/2014

Não falemos de títulos, de gols, de troféus. Falemos de outra virtude que também simboliza conquista. Mérito, glórias, amor. Nem todas as estrelas brilham tanto no céu, onde dividem espaço com outros astros. Mas apenas aquelas que, mesmo depois de mortas, continuam a brilhar. Fernandão foi assim. E, se o poeta me der licença de repetir o seu discurso, eu discorro “É tão estranho; Os bons morrem jovens; Assim parece ser, quando me lembro de você; Que acabou indo embora, cedo demais…”

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Com ele, aprendi que se pode ter esperança de um caminho melhor. Que lealdade é a palavra mais importante no mundo do esporte e que a vitória chega na base de muita luta e suor. Dono de uma garra sem igual, Fernandão (ou F9, para os fãs), me mostrou que ainda se pode acreditar no amor a camisa, que ainda existem pessoas que beijam o escudo com vericidade e que grandes homens se formam com sangue e transparência.

É tão estranho
Os bons morrem antes
E lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais
E cedo demais,eu aprendi a ter tudo que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer

As memórias ainda flutuam na nossa cabeça. O centroavante não conquistou apenas grande parte dos gaúchos, goianos e paulistas mas também o mundo, quando num certo dia de dezembro mostrou que humildade e dedicação valem mais que nome e fama. E esse legado ficará registrado em todos que puderam conviver com essa grande figura que foi e sempre será o camisa 9. Seja o Testa de Ferro, Homem Gol, Capitão América, Dono do Mundo… Para mim, em particular, ainda é muito difícil acreditar ou escrever sobre esse atleta que eu ouso em dizer, foi o maior da história do Internacional. Levas a plagas distantes; Feitos relevantes; Vives a brilhar; Correm os anos, surge o amanhã; Radioso de luz, varonil; Segue a tua senda de vitórias.

UH, TERROR, FERNANDÃO É MATADOR!


Chega de saudades

06/04/2014

Para escrever a crônica de hoje, me baseei em apenas um poeta para conseguir repassar tudo o que eu queria e concluir com perfeição tudo o que eu vi ontem. Não apenas por ser uma amante do bom futebol ou ter escolhido o jornalismo esportivo como profissão. Hoje, a postura do linguajar jornalístico deixarei de lado. Apenas vamos falar de amor. E para me ajudar nesse texto eu “convidei” o dono da letra mais propícia para esse momento: Lulu Santos – Casa.

Fazia muito tempo que aquele caminho não era percorrido. Fazia muito tempo também que eu só me sentia um convidado, um estranho. Estranho não no sentido ridículo ou feio. Estranho no sentido de que você não era dali. Mas tudo isso mudou, foi vertigem, foi realização. Foram 487 dias  distante do meu casarão. Mas no dia 5 de abril de 2014 eu fechei meus olhos e deixei o corpo ir. Afinal, como toda o vício, aquilo já estava fazendo falta no corpo na mente. Era um líquido que não passava mais nas minhas veias. Era uma vivência que eu precisava sentir novamente. Era saudade.

Ao me deparar com a casa pronta, tinta fresca, cheiro de novo fiquei com as mãos geladas. Encontrei os outros moradores lá também. Chorando. Beijando as plataformas que fixavam as membranas. Um mar vermelho. Era como a música que minha saudosa mãe escutava na sala de estar ao esperar os convidados, só que a melodia que embalava esse retorno agora era outra. Devagar e com ansiedade fomos adentrando no pátio do nosso lar. Ao pisar no primeiro degrau daquela escada e assim terminar de subir até o fim do caminho, levantei minha cabeça e me deparei com o céu. Era alto, era colorido, era grande, era Inter.

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“Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…”

photo3As cortinas iriam subir quando terminasse a contagem regressiva. E quando finalmente a massa soou o número 1, as luzes foram acesas, o abraço veio caloroso. Me senti apertada com aquele calor que mexeu com todas as pessoas que estavam ali. A respiração ofegante de todos era o choro preso de quem sentia muita falta. Choro preso? Choro solto. Aquela água era a resposta positiva de que valeu a pena esperar. Ali perto de nós estavam milhares de pessoas deixando aquele retorno ainda mais especial, proporcionando dança e arte para todo mundo. Mas rever os velhos patriarcas na nossa frente contando histórias como se fosse um almoço de família e logo depois chegando para nos dar boas vindas. Não teve preço.

As vezes é tormenta pois tanta emoção assim não chega a caber dentro do peito e é necessário ter o bom amigo do lado para segurar a sua mão e mostrar que, realmente, aquilo tudo é verdadeiro. Eram 50 mil pessoas exalando emoção e mais não sei quantos amores dentro de uma pista lhe fazendo esquecer os problemas. Apenas se sentir em casa. Pois vamos combinar, não tem nada melhor do que a nossa poltrona, as cores que a gente escolheu, os vizinhos que queremos próximos. E claro, na vitrola tocava canções selecionadas por campeões da voz que souberam trilhar e escolher a melodia correta para cada momento. Seja dos badalados anos 70 com Blitz até a tecnologia dos arranjos musicais vindo de Fatboy Slim. “Bem vindos de volta” era apenas esse sentimento que regia.

Eu fui também e me senti em casa sim. Nós na condição de jornalistas também vivenciamos cada momento e cada angústia de todo e qualquer pessoa presente no local. E aquela também é a nossa casa. A cada domingo é lá que estamos e se sentir bem também é fundamental para nós. Estarei em cada lugar que um torcedor estiver e acredito que o poder da cor é necessário para nos sentirmos parte daquele lugar. Eu ontem vesti vermelho e também estou voltando pra casa de vez.

Quem vos escreve

Quem vos escreve


Sem dinheiro na mão é vendaval

11/01/2014

dinheiro

 

Infelizmente, ou felizmente, não só o mercado da bola como em todos os outros lugares, não se trabalha sem receber o seu rico dinheirinho no final do mês. Trabalhar de graça (ou quase de graça) ficou nos tempos iniciais da faculdade. Sem serem compreendidos e com a conta bancária saudosa da bufunfa, dois personagens da dupla mostram disfarçadamente (ou não) a sua falta de felicidade quando o assunto é: contracheque.

Foto; Alexandre Lops

Foto; Alexandre Lops

Magoado 1 – Diego Forlán: O uruguaio não conseguiu achar bem o seu lugar ao sol no elenco do Inter. Nem de perto lembramos o melhor jogador da Copa de 2010 com os passes do centroavante colorado. E esta semana, na reapresentação dos jogadores no novo Beira Rio, o loiro não apareceu para treinar. A desculpa do moço foi complicações estomacais, a famosa dor de barriga. Mas essa dor de barriga foi causada por uma maionese estragada ou pela agonia da conta bancária vazia vazia a dele meio difícil né, mas ?

 

Foto: Lucas Uebel

Foto: Lucas Uebel

Magoado 2 – Hernan Barcos: O argentino, por sua vez, deu uma declaração no mês passado sobre a ausência dos pagamentos no plantel gremista. Esse desabafo fez o jogador passar por maus bocados inclusive com os torcedores, que não gostaram muito da entrevista do jogador diante das câmeras. Barcos no entanto explicou que se posicionou representando todo o elenco do Grêmio e não apenas ele e que também está chateado com a imprensa, afinal, a falta de comunicação/interpretação fez ele se incomodar com a torcida e direção.


Devolvam a graça do meu grenal

30/07/2013
Decisão da BM deixa Grenal de uma só cor - Foto: Divulgação

Decisão da BM deixa Grenal de uma só cor – Foto: Divulgação

Leia também: POR UM GRENAL COM AS DUAS TORCIDAS

Passei o dia tentando digerir a manchete dos sites esportivos e chamadas no Facebook. Sério mesmo que embora eu tenha a noção de que não se pode passar em branco a decisão da Brigada Militar em relação ao Grenal 397. O primeiro Grenal da Arena. A primeira vez em que o Internacional entraria no gramado do novo estádio do arquirrival.

Entrada adiada: Grenal de torcida única. O que dizer? A marginalidade venceu, visto que a afirmação da polícia é que não teria condições de dar segurança aos torcedores do Inter no deslocamento até o palco da partida. A falta de espírito esportivo?

Sete anos – hoje – se passaram desde que banheiros químicos pegaram fogo no Beira-Rio. Na época vi muitos gremistas indignados pelos atos de seus próprios torcedores. Hoje, ao ver declarações de ambos os lados à união de opiniões prevalece: Grenal é muito mais bonito quando a gente olha e vê aquele colorido, aquela divisão forte entre uma cor fria e uma cor quente: ambas fortes e vibrantes.

E o pior: a tendência é de que essa situação se repita quando o mandante for o colorado. Acabaram com o brilho de um daqueles que eu considero o maior evento dessas bandas daqui. No entanto, não posso encerrar sem a pergunta: e você, o que acha? A culpa é de quem? Brigada? Torcida que não sabe se portar? MP que acatou?

Só sei que queria a graça do meu grenal de volta.


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