Crônica do torcedor – Dos dias que se promete até o impossível

29/07/2015

– Se ganhar não bebo refrigerante por um ano.

– Se aquele cara segurar o pênalti, te pago uma cerveja amanhã.

– Juro que se a gente levantar a taça eu vou subo de joelhos até a igreja do Santo Expedito.

Sem título

E por aí vai milhares e milhares de frases que, independente do time que o cidadão torça, são ditas no momento de maior aflição. Pois se tem algo em comum dentre milhares de humanos que amam o futebol, as promessas malucas certamente são as que chegam em primeiro lugar.

Dia de jogo, semi final ou final de campeonato, não importa. Se for sozinha ou com um amigo também não interessa, afinal, ao chegar no estádio terão mais uns 40 mil amigos de primeira (e última) vista que estarão contigo pelo mesmíssimo propósito.

Já na fila do cachorro quente começa aquele papo “apostei uma caixa de cerveja com meu colega do trabalho que a gente levanta mais essa”. Até aí, as 12 latinhas são inocentes e baratas comparando com o desenrolar de todo os 90 minutos que ainda estão por vir.

No  momento de jogo, aquela tensão maluca e também segurança de que dois ou três gols vão sair. Afinal você sonhou que o craque do time recebia uma jogada iniciada de escanteio e finalizava num cabeceio. Claro que isso iria acontecer, afinal essa ta,bem virou uma aposta com o vizinho de porta. A pessoa pode parecer a mais descrente do mundo, mas em dia de jogo vira Pai de Santo, Bola de Cristal, tem premonições, tudo!

vela

O desenrolar do jogo não começa da forma mais esperada. Afinal aqueles 3×0 que havia gritado no escritório como ar de adivinhação já havia ido para as cucuias quando o outro time lançou uma bomba não dando chance para o seu goleiro. Olha para o lado do cidadão ao lado que também demonstra face de horror e avisa “acho que dá e se der, vai ter churrascada no domingo”.

A situação piora quando o craque do time, aquele mesmo do gol dos sonhos, se lesiona e precisa ser substituído. O que serão das premonições agora? Será que o profeta que havia baixado em você estava com defeito de fábrica? Só não promete a venda da mãe porque não dá.

Para tudo que, como se bastasse levar um gol, agora tomaram mais um. Esse é aquele momento de ajoelhar e pedir para o primeiro santo que vier a cabeça. Pois se a vontade dos jogadores não estava dando para colaborar, talvez alguma divindade acima poderia ajudar.

– Só um empate e eu já faço 10 doações de cestas básicas para a instituição de crianças carentes.

Independente do final do resultado, esteja você feliz ou não, você sai do estádio carregado de dívidas e de missões para cumprir. O adeus ao doce, ao dinheiro que terá que gastar e aos joelhos que ficarão meio calejados por causa das escadas.

papa

E quem disse que ele aprende? Mais uma final, mais uma promessa.


Aos que noticiam

07/04/2014

Nem sempre queridos, nem sempre admirados. Por vezes incompreendidos e também julgados. Se erramos é motivo de “chacota”, se acertamos não fazemos mais que nossa obrigação. Você pode nos ver através dos jornais, refletidos em um mundo de palavras que unimos para formar um texto. Ou talvez você reconheça a gente apenas pelo soar da nossa voz ao ligar o rádio. E como todo o bom profissional, hoje é o dia do jornalista.

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Você não sai de casa sem ouvir a gente. É conosco que você sabe se vai chover ou fazer frio. Também comunicaremos quais as ruas que não estão tão engarrafadas. Estaremos nos arriscando também para passar com clareza todas as novidades da guerra das religiões, dos problemas entre as UPPs com a favela, do tiroteio das 17h, do apedrejamento dos ônibus nas grandes capitais e mais diversas outras aventuras que a nossa profissão proporciona. Para passar a notícia correta, ficamos horas esperando a fonte colaborar. Madrugamos na frente da casa da notícia para ter certeza do que vamos transmitir. Tem colegas nossos que até já morreram durante o trabalho. Mesmo assim ainda somos chamados de imprensa mentirosa, influenciadores de mentes e imparciais.

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Tudo bem, concordo que temos momentos mais tendenciosos ou quando achamos que estamos corretos, queremos que você esteja do nosso lado, mas nada disso e feito por mal. Seja no stress da cobertura política, da formalidade quando o assunto é economia ou dos momentos descontraídos do esporte, estaremos lá de domingo a domingo. Ou você acha que aqui a gente tem folguinha de carnaval? Se escolhemos essa profissão foi para fazer do melhor jeito. Quem é jornalista no Brasil hoje em dia é por que tem muito amor à profissão. Ganhamos pouco mas nos divertimos muito. E o reconhecimento de um trabalho nosso é o melhor pagamento (quer dizer… Nem tanto). A gente sabe que cada pessoa se identifica com um jornalista. Seja ter a mania de ouvir o locutor toda a manhã, de ter a mania de ler a coluna do fulano ou acompanhar o blog de um certa garotinha. Seja aquele exemplo ou outro qualquer, espero que eu seja a referência para algum de vocês. 7 de abril, dia do jornalista.

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