Quase na hora

15/05/2014

Era comum nas ruas se ver as bancas lotadas de crianças e adultos comprando pacotes de figurinhas. Mais ao lado, via-se pessoas trocando seus cromos repetidos e preenchendo o seu álbum. A cada lacuna completa, um grito de excitação era soado, semelhante àqueles momentos que seu time do coração marca um gol. Agora, a realidade é outra.

Pessoas correndo, gente eufórica, mantas coloridas no pescoço, bandeira na sacada. A contagem regressiva já começou e muitas pessoas estão prestes a realizar o seu sonho. Ver seu ídolo apenas em um papel colado num livro de plástico podia se transformar em um momento real com o jogador a poucos metros de você. Neste momento, aquele mesmo público que se aglomerava em bancas, agora procura seu bilhete premiado na web.

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Todo esse imaginário mexe com o coração dos fanáticos pelo futebol. Poder gritar “estou com você” para qualquer que seja o seu jogador favorito é a realização de jovens e adultos. E não seria diferente a imagem fixa que temos de crianças fardadas e pintadas e fotos postadas dos tickets adquiridos com muito orgulho. Não apenas os estádios, mas a internet, que é uma das grandes responsáveis pela venda de ingressos online, vira a sua aliada nesta fase pré, durante e pós Copa. Afinal, ninguém quer perder um só lance, deixar de postar uma só foto ou não contar a ninguém que você conseguiu estar presente num dos momentos mais legais do mundo esportivo.

Torcedores lotam bilheterias, ficam horas na internet na busca de seus passaportes para ficarem, talvez, perto de gritar o nome do atleta favorito. Em menos de um mês para a Copa, é nítido o desespero de quem ainda não conseguiu um bilhete para curtir qualquer jogo. Partidas da Nigéria, estreia da Bósnia… Qualquer coisa já seria uma grande parte para a sua história em Copas do Mundo. As filas crescem, as lágrimas caem. Quem ainda não tem a certeza que irá participar, por vezes, apela pelos cambistas ou cai no buraco dos ingressos falsos, comprometido por tanta ansiedade que prospera no corpo. Hoje em dia, é mais fácil conseguir ingresso dentro de casa, com o Brasil Iguanatickets, por exemplo, do que negociando com vendedor ambulante.

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Independente da forma que você for, da camiseta que pôr e para quem torcer, aquele papel na mão é o seu troféu, torcedor. Vá ao estádio mesmo sem torcida, mesmo sem lugar. Você pode estar prestes a ouvir no velho radinho que o Fred foi o primeiro a inaugurar os placares da Copa no Brasil. E você, brasileiro, estava lá para ver a Seleção Canarinho fazer tudo isso.

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A criatividade aflora na Copa do Mundo

13/05/2014

Gostando ou não da Copa do Mundo, você tem que concordar comigo: dá gosto de ver a publicidade nesta época.

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Então resolvi postar algumas propagandas que destaco ser as melhores, em minha humilde opinião.

Nike, Quem ganha fica – Genial. Os publicitários ousaram em fazer de uma pelada de guris um super campeonato recheado de craques. Quando cada garoto pega na bola, ele fala o nome ídolo e se transforma nele.

Visa, Todos são bem vindos – Comercial que mostra a “possível” reciprocidade com todos que chegarem ao Brasil. Para mim, a mais bem bolada.

Quilmes, Con que se van a encontrar – Recomendo a todos que gostam de publicidade a ver os comerciais da Quilmes. Vale a pena. Sim, marca argentina e propaganda também, mas vale muito!

TyC Sports, 2010 – A propaganda é da Copa de 2010, mas não me canso de ver e de admirar o orgulho e garra que os argentinos encaram cada competição. Acho que falta um pouco disso no Brasil.

Eu teria mais diversas propagandas para postar, mas a capacidade de upload do blog o deixaria muito pesado. Mas já fico feliz de dividir esses com todo mundo. O que acham?

 


País do futebol

06/05/2014

Seria um jogo normal, no qual eu mesma iria prestigiar se não fosse o susto que levei. Me redirecionei até o guichê de compra de ingresso. Escolhi uma partida da Libertadores para aproveitar aquele meu momento de brasileira e torcedora. Foi aí que começou o meu pesadelo.

– Um ingresso de arquibancada inferior.

– R$120,00.

– Moça, eu só pedi 1.

– Sim, sim. Este é o valor. Se você for estudante, dá para comprar pela metade do preço.

– Não. Não sou. Sou trabalhadora mesmo.

– É! O ingresso mais em conta é esse, por 120 Reais.

Óbvio que não comprei e sem sombra de dúvida saí dali com vontade de me pronunciar sobre o país que se diz a Pátria de chuteiras. Que chuteiras seriam essas? Da Nike? Que país é esse que cobra um valor absurdo em cima de um ingresso no qual a população que prestigia batalha por um prato de feijão à mesa todos os dias. Não seria estranho perceber que nossos estádios não ficam mais lotados, não são mais coloridos e não se escuta mais vozes cantantes. Afinal, o padrão FIFA proporcionou uma nova população que adentra aos parques esportivos.

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Entender o que está se passando com o futebol brasileiro é complicado quando você apenas quer se sentar numa cadeira e comemorar com o cara do lado o gol do seu time. Compreender a fusão que as grandes indústrias e o marketing estão fazendo com o nosso esporte é complicado para o povo. E quando falo ‘povo’, quero ilustrar aquelas pessoas que ganham um salário mínimo mas se escabelam para comprar um ingresso e ir de ônibus até o jogo.  Famílias que iam com até dois filhos no colo já não estão mais ali. Pessoas de todas as classes também não. O que se vê é um povo selecionado e aquele sócio que engole o valor mensal para conseguir ir nos campeonatos.

Isso tudo se deve a quantos motivos? Aqueles mesmos que fizeram o futebol brasileiro evoluir e parar de fabricar craques e ídolos? Aquele mesmo que fez os dribles bonitos se ofuscarem e apenas escândalos de festas e bebedeiras ficarem em evidências? Aquele mesmo que apagou da memória do próprio jogador a vontade de se mostrar bom de bola e apenas querer brilhar na próxima campanha daquela marca de roupas. É triste, torcedor, mas você terá que se conformar. O normal agora é pagar por pacotes de esporte na TV a cabo. Ou para os mais espertos, puxar o gato do Payperview e conseguir acompanhar os jogos de graça. O que deveria ser de fácil acesso para um país do futebol custa mais do que muita hora mensal trabalhada. Mas ninguém lembra disso na hora de gritar gol.

Talvez você ache que fui radical demais, afinal, se não quer pagar, não reclame e não vá ao Estádio. Mas eu queria perguntar, amigo leitor, você realmente acha que nasceu no país da pelada?


Gigante pela própria natureza

01/05/2014

Foi difícil acostumar. Parecia algo distante imaginar os domingos vazios, a  TV desligada, as manhãs caladas. Faltava alguma coisa para mexer com os ânimos. Coisa de brasileiro, sabe? Aquele sentimento caloroso de ter algo para se fazer. A rotina gostosa de levantar cedo e se animar com pequenas ações. Pois bem. Aquele final de semana foi ímpar. O mundo inteiro cobriu seu rosto com as mãos. Eu estava com 5, quase 6 anos, quando aquela imagem pairou em meus olhos. Meu pai de cabeça baixa, meu irmão acolhendo o pranto. Breu.

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É muito confuso aceitar a dor da perda ou se conformar com um simples adeus. Aquele 1º de Maio foi assim. A despedida. Uma despedida de bilhões de seres humanos. De brasileiros convictos. De crianças inconsoláveis. De fãs sem chão. Não por acaso, Aírton Senna foi embora justamente no feriado do trabalhador. Ele que pode se considerar um dos grandes operários do Brasil pois poucas pessoas são reconhecidas pelos seus grandes feitos ou serem lembradas pelo dia de sua partida. Aírton reúne todas essas recordações. Um grande atleta, um bom homem, um cara atípico, ousado e corajoso. Talvez esses adjetivos possam ter o levado cedo demais de nós. Mas mais uma vez, temos que nos conformar.

Hoje faz 20 anos que não temos mais aquele capacete patriota que tanto nos enchia de alegria. Parece que foi ontem, não é? A sua presença física foi embora, porém os gigantes nunca morrem. Os ídolos de verdade, prosperam. E quem um dia foi rei, jamais vai perder a majestade. Quando que você viu uma empresa de companhia aérea pintar uma aeronave com as cores de um objeto que era usado por um certo alguém? Em quantas marcas você pode ver o rosto de Aírton Senna? Ou melhor, você pode me citar apenas um nome de algum ídolo brasileiro? Ele vive e jamais irá nos abandonar.

Infelizmente, Aírton, eu não consegui lhe ver brilhar. Quer dizer, eu vi muito pouco e as lembranças que a minha mente, naquela época jovem demais, são pobres perto de tudo o que você proporcionou. Sorte a minha de ter crescido numa era em que a tecnologia nos proporciona assistir coisas do passado como se fossem o presente. Mas, por mais que não tenha te visto correr, não tenho dúvidas, tu é o único grande ídolo que o Brasil formou. E no dia do aniversário de seu adeus, ainda tão tenro, eu me sinto na obrigação de lhe dizer o meu muito obrigada.


Ainda vivemos na era dos dinossauros

28/04/2014

Era da tecnologia, país em desenvolvimento, internet sem fio em todos os lugares, educação multimídia e mesmo assim ainda lemos nos jornais notícias que relatam casos de racismo. Casos esses que são sofridos no meio de competições esportivas. Não, nós não vivemos no século XXI.

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Não é de imaginar que um dia não ficaremos mais impressionados com tamanho desrespeito que nosso povo ainda sofre. Podemos sim sonhar com um mundo que não precise mais fazer campanha na internet, pois termos que ainda falar sobre isso é o fim de tudo. É o fim olharmos com desdém para o próximo. É o fim acharmos que a cor da pele vai definir quem você é ou não. É o fim sermos feridos com palavras rudes, gestos feios e mímicas sem educação. É o fim termos que nos unir por algo que não deve ser a nossa luta, que não deve ser nada. Pois o branco, amarelo e preto é apenas uma cor. E só.Me admira o esporte ainda acolher atitudes tão irracionais quanto essa, pois por mais que nos chamem de macacos, ainda somos racionais. Somos humanos.

Até quando teremos que nos conformar com tamanha imbecilidade de alguns. É inimaginável no esporte, onde a união das cores é o que deixa mais bonito os eventos, assistirmos alguém tocar um objeto que remeta à racismo. É incompreensível no futebol, onde a maioria dos jogadores são negros, um atleta ter que esconder do filho os episódios horríveis que passou por causa de sua pele. Porém, ficamos felizes quando um desses homens, que orgulha-se de sua raça, virar a costas para os agressores, pegar uma banana que foi tocada e aí sim, comer. Afinal, parece que ninguém está morrendo de fome no planeta, não é mesmo?

No Brasil cerca de 30% da população se considera negra ou parda. No mundo, temos diversas cores que formam as raças da população. Porém, uma pesquisa mostra que a chance de um jovem negro ser morto é 130% a mais que um jovem branco. E ninguém da bola para isso? Não! Você atravessa a rua a noite se vê um homem afro caminhar contra a sua direção. Nos bancos os olhares desconfiados sempre ficam em cima daquele que não tem a mesma cor que você. E você ainda acha que isso não é racismo. Será?

Também estou adepta, por mais que esse assunto já deveria ter sido extinto de tudo, à campanha #SomosTodosMacacos. Termino meu texto hoje citando a frase de um homem que sofreu por sua cor, foi aplaudido por sua cor, fez história com a sua cor e será eterno por sua cor. “Sonho com o dia em que todos levantarão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.” (Nelson Mandela)

#SomosTodosMacacos

#SomosTodosMacacos


Censurado

23/04/2014

O assunto já está batido, debates já foram feitos, brigas assistimos e mesmo assim nada aconteceu. Não estou dizendo que sou contra mas também não citei aqui que sou a favor. Pelo lado brasileira de ser e pelo lado da minha vida jornalística, não posso deixar de comentar sobre esse vídeo:

Só ele já falou em poesia tudo o que o povo do Brasil está sentindo mas não tem coragem de falar. E eu também não tenho. No peito, eu bato com o punho e digo que quero ver a taça do hexa ser erguida. Mas no fundo, eu faço parte daquela gente que, mesmo com carteirinha de plano na mão, espera 2 ou até 3 horas para a saúde ser atendida. Eu tenho nas veias um sangue de um povo esperançoso que coloca fé em um evento gigantesco sonhando que seu país vai sim melhorar. No entanto, o que a gente está assistindo não é a diversidade de nações que pelo país irão colorir e encher a pátria de cultura e sim uma nação ser enrolada com mentiras e promessas.

Em Porto Alegre temos um Estádio sede, um projeto bonito, um povo contente. Do outro lado, vemos problemas com a mobilidade urbana surtar a população. Passar 15 dias sem ônibus, passar 15 dias sem ter como trabalhar. Passar 15 dias sem ter o direito de ir e vir.

Rio de Janeiro, cidade maravilhosa. Pólo esportivo e ponto de encontro de turistas fascinados por sua beleza. Mas ainda somos obrigados a ler notícias de que em um hospital universitário desta mesma cidade foi encontrado corpos de 40 bebês amontoados no necrotério.

São Paulo, maior cidade da América Latina. Como poderia ficar de fora da Copa do Mundo? Fácil, construa-se um estádio de 600 milhões que mesmo assim não livrou 3 pessoas do óbito.

Copa pra quem

País do futebol, 12 cidades sedes. Porém ainda não conseguimos lotar estádios, os ingressos custam mais de 100 reais. Faço uma pergunta para os chefes de Estado do Amazonas e Cuiabá, o que será feito com seus Estádios? Será que os 500 milhões gastos por cada local não teria um destino melhor? Não tem gente morrendo de fome na Amazônia né? Também não tem problema de saúde e gente passando mal com o calor no pantanal?

Casas empilhadas, desemprego crescendo 12%, 3 pessoas mortas por dia por causa da violência, cidades tomadas por fumaças, analfabetos, desigualdade social, racismo, homofobia… E mesmo assim a gente grita gol.

Sim, torcedor. Eu ainda estou contigo. Faço parte daquele núcleo que não sabe como pagar a conta do dia seguinte, mas parcela no cartão o ingresso do jogo. Sim, torcedor, eu te entendo. Sei que a vontade de mostrar o amor pela pátria mãe gentil é mais forte do que procurar um emprego e conseguir colocar comida em casa. Sim, torcedor, eu quero. Eu quero comprar aquela camiseta amarela e abraçar o cara do lado quando finalmente o espetáculo começar. Sim, torcedor, eu sei. Eu sou brasileira.


Estamos em silêncio

20/04/2014

Hoje a nossa voz emudece e apenas a de uma pessoa será ouvida. Aos jornalistas de hoje, aos de amanhã. Aos velhos e novos. Aos que ainda estão na faculdade e aos que já se aposentaram. Independente de qual for a sua caminhada jornalística, você já ouviu falar de Luciano do Valle.

Luciano do Valle Queirós nos deixou ontem (19 de Abril de 2014) ainda jovem, com apenas 66 anos. Falar aqui sobre o seu vasta currículo seria algo difícil para mim. Precisaria de outras mãos que me ajudassem a detalhar a sua trajetória, seria necessário vozes que narrem sua história, pediria lembranças que nos mostrem todos os ensinamentos que ele nos passou. Então vou ser diferente e vou dizer o que ele representa para mim, colega de profissão e também amante do esporte brasileiro.

Em minhas palavras, Luciano é futebol, vôlei e basquete. É Copa do Mundo, Olimpíadas e Pan Americano. É jornal, rádio e televisão. Mãos, vozes e visão. Pintou em cada novo profissional das redações um quê de “do Valle”, um quê de ousadia e originalidade. Ousado por fazer uma emissora passar 10 horas de notícias esportivas e original por dar à Geração de Prata o renome que é até hoje. Deixou ginásios mais lotados, partidas mais comentadas, estádios mais ligados e transmissões mais ricas. Foi o número 1, empresário e promotor. É referência? Sim! É, foi e será. Luciano, assim como outros grandes nomes em suas carreiras, também não morreu. Tudo que ele nos deixou ainda está aí. Páginas e páginas de lições que ele comentou e que, eu mesma, poderia transformar em livro para que mais jornalistas possam também aprender com esse mestre. Um mestre.

Citando Oscar Wilde “A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.” Luciano do Valle foi um cara que uniu os prós dos contras, não precisou do oposto para conseguir ser o melhor. Ele fez o simples e deu. E aí está o sentido do nosso sucesso no trabalho. Batalhamos para sermos bons e queremos fazer com que todos nos elogiem. Luciano de uma certa forma nos impôs isso pois para sermos como ele, temos um caminho longo pela frente e é bom a gente amarrar os sapatos e ir à luta.

Eu não participei do auge da carreira de Luciano do Valle. A minha geração do jornalismo ainda é crua e está sendo construída aos poucos, com o início dos anos 90. Mas agradeço a ele pelo legado que me deixou e pelas obras que poderei ouvir, ler e assistir para colocar mais um tijolo no meu caminho do jornalismo. A ti, Luciano, aonde quer que você esteja o meu muito obrigada e que você descanse em paz.

Lucianodovalle 


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