Estamos em silêncio

Hoje a nossa voz emudece e apenas a de uma pessoa será ouvida. Aos jornalistas de hoje, aos de amanhã. Aos velhos e novos. Aos que ainda estão na faculdade e aos que já se aposentaram. Independente de qual for a sua caminhada jornalística, você já ouviu falar de Luciano do Valle.

Luciano do Valle Queirós nos deixou ontem (19 de Abril de 2014) ainda jovem, com apenas 66 anos. Falar aqui sobre o seu vasta currículo seria algo difícil para mim. Precisaria de outras mãos que me ajudassem a detalhar a sua trajetória, seria necessário vozes que narrem sua história, pediria lembranças que nos mostrem todos os ensinamentos que ele nos passou. Então vou ser diferente e vou dizer o que ele representa para mim, colega de profissão e também amante do esporte brasileiro.

Em minhas palavras, Luciano é futebol, vôlei e basquete. É Copa do Mundo, Olimpíadas e Pan Americano. É jornal, rádio e televisão. Mãos, vozes e visão. Pintou em cada novo profissional das redações um quê de “do Valle”, um quê de ousadia e originalidade. Ousado por fazer uma emissora passar 10 horas de notícias esportivas e original por dar à Geração de Prata o renome que é até hoje. Deixou ginásios mais lotados, partidas mais comentadas, estádios mais ligados e transmissões mais ricas. Foi o número 1, empresário e promotor. É referência? Sim! É, foi e será. Luciano, assim como outros grandes nomes em suas carreiras, também não morreu. Tudo que ele nos deixou ainda está aí. Páginas e páginas de lições que ele comentou e que, eu mesma, poderia transformar em livro para que mais jornalistas possam também aprender com esse mestre. Um mestre.

Citando Oscar Wilde “A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.” Luciano do Valle foi um cara que uniu os prós dos contras, não precisou do oposto para conseguir ser o melhor. Ele fez o simples e deu. E aí está o sentido do nosso sucesso no trabalho. Batalhamos para sermos bons e queremos fazer com que todos nos elogiem. Luciano de uma certa forma nos impôs isso pois para sermos como ele, temos um caminho longo pela frente e é bom a gente amarrar os sapatos e ir à luta.

Eu não participei do auge da carreira de Luciano do Valle. A minha geração do jornalismo ainda é crua e está sendo construída aos poucos, com o início dos anos 90. Mas agradeço a ele pelo legado que me deixou e pelas obras que poderei ouvir, ler e assistir para colocar mais um tijolo no meu caminho do jornalismo. A ti, Luciano, aonde quer que você esteja o meu muito obrigada e que você descanse em paz.

Lucianodovalle 

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