Chega de saudades

Para escrever a crônica de hoje, me baseei em apenas um poeta para conseguir repassar tudo o que eu queria e concluir com perfeição tudo o que eu vi ontem. Não apenas por ser uma amante do bom futebol ou ter escolhido o jornalismo esportivo como profissão. Hoje, a postura do linguajar jornalístico deixarei de lado. Apenas vamos falar de amor. E para me ajudar nesse texto eu “convidei” o dono da letra mais propícia para esse momento: Lulu Santos – Casa.

Fazia muito tempo que aquele caminho não era percorrido. Fazia muito tempo também que eu só me sentia um convidado, um estranho. Estranho não no sentido ridículo ou feio. Estranho no sentido de que você não era dali. Mas tudo isso mudou, foi vertigem, foi realização. Foram 487 dias  distante do meu casarão. Mas no dia 5 de abril de 2014 eu fechei meus olhos e deixei o corpo ir. Afinal, como toda o vício, aquilo já estava fazendo falta no corpo na mente. Era um líquido que não passava mais nas minhas veias. Era uma vivência que eu precisava sentir novamente. Era saudade.

Ao me deparar com a casa pronta, tinta fresca, cheiro de novo fiquei com as mãos geladas. Encontrei os outros moradores lá também. Chorando. Beijando as plataformas que fixavam as membranas. Um mar vermelho. Era como a música que minha saudosa mãe escutava na sala de estar ao esperar os convidados, só que a melodia que embalava esse retorno agora era outra. Devagar e com ansiedade fomos adentrando no pátio do nosso lar. Ao pisar no primeiro degrau daquela escada e assim terminar de subir até o fim do caminho, levantei minha cabeça e me deparei com o céu. Era alto, era colorido, era grande, era Inter.

photo2

“Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…”

photo3As cortinas iriam subir quando terminasse a contagem regressiva. E quando finalmente a massa soou o número 1, as luzes foram acesas, o abraço veio caloroso. Me senti apertada com aquele calor que mexeu com todas as pessoas que estavam ali. A respiração ofegante de todos era o choro preso de quem sentia muita falta. Choro preso? Choro solto. Aquela água era a resposta positiva de que valeu a pena esperar. Ali perto de nós estavam milhares de pessoas deixando aquele retorno ainda mais especial, proporcionando dança e arte para todo mundo. Mas rever os velhos patriarcas na nossa frente contando histórias como se fosse um almoço de família e logo depois chegando para nos dar boas vindas. Não teve preço.

As vezes é tormenta pois tanta emoção assim não chega a caber dentro do peito e é necessário ter o bom amigo do lado para segurar a sua mão e mostrar que, realmente, aquilo tudo é verdadeiro. Eram 50 mil pessoas exalando emoção e mais não sei quantos amores dentro de uma pista lhe fazendo esquecer os problemas. Apenas se sentir em casa. Pois vamos combinar, não tem nada melhor do que a nossa poltrona, as cores que a gente escolheu, os vizinhos que queremos próximos. E claro, na vitrola tocava canções selecionadas por campeões da voz que souberam trilhar e escolher a melodia correta para cada momento. Seja dos badalados anos 70 com Blitz até a tecnologia dos arranjos musicais vindo de Fatboy Slim. “Bem vindos de volta” era apenas esse sentimento que regia.

Eu fui também e me senti em casa sim. Nós na condição de jornalistas também vivenciamos cada momento e cada angústia de todo e qualquer pessoa presente no local. E aquela também é a nossa casa. A cada domingo é lá que estamos e se sentir bem também é fundamental para nós. Estarei em cada lugar que um torcedor estiver e acredito que o poder da cor é necessário para nos sentirmos parte daquele lugar. Eu ontem vesti vermelho e também estou voltando pra casa de vez.

Quem vos escreve

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