Profissão: torcedor

Subi no trem, sentei no banco. Pensei: “hoje quero ser um deles”. Não é sempre que você, na condição de jornalista, passa a integrar o grupo dos torcedores. Ainda mais na camufla, como era a minha proposta. Me juntei à massa que se deslocava para à Arena no meio de milhares de pessoas animadas e confiantes. Hoje eu também quero ter essa sensação.

IMG_3598Vesti uma camiseta branca e uma calça preta (o que para mim estava completamente parcial). Este detalhe, por sinal, foi o primeiro item de uma final com clássico que incomodou meus companheiros de jogo. Todos se olhavam. Se eu pudesse ler o pensamento, conseguiria visualizar aquela nuvem em cima da cabeça deles dizendo assim: essa daí veio a passeio. Em um GreNal, preferi adentrar na torcida da casa para evitar um possível tumulto diante dos visitantes. Notei que os portões eram nomeados com as letras do alfabeto, porém na Arena não existe o portão de letra “I”. Sinceramente, acho engraçado essa rivalidade levada tão a sério. Passei a roleta, cheguei no estádio. Por um momento me senti um peixe fora d’água mas quis ir até o fim na minha decisão.

Como a proposta era curtir aquelas horas como torcedora, não deixei de comprar um lanche com refri. Sentei (num acento que não era meu no qual tive que sair dali depois), comi, me sujei de molho e relaxei. Avistei alguns colegas de imprensa trabalhando no gramado. Sorri e tentei dar um tchauzinho discreto com a mão. Notei que um homem acima do peso me cuidava com os olhos. Foi aí que decidi ficar quieta na minha e relaxar. Não foi tão difícil, afinal o DJ da Arena estava inspirado. No telão, shows de Rollign Stones e Foo Fighters. em torno de 5 minutos antes de começar o jogo resolvi comprar aqueles copinhos de água, pois o calor que fazia no dia de hoje, era algo absurdo. Mas mais absurdo era cobrar 3 reais por dois goles de água. Entrei no clima. Reclamei da inflação do lanchinho, discuti com o vendedor de bebidas, só não xinguei o juiz por que daqui uns dias vou precisar entrevista-lo. Não dá para fugir da tua vida.

IMG_3597Ahh mas teve o jogo. Sim, a partida. Foi estranho para mim ver o Edinho de azul. Assim como avistar o Dida, que até ano passado defendia o Grêmio, estar na goleira do Internacional. E nem por isso o nome dele foi o mais vaiado na hora da escalação. Foi D’Alessandro, claro. Mas esse Gre-Nal não foi o camisa 10 que brilhou ali. Tá, não é segredo para ninguém que o Inter venceu o primeiro jogo da final e não vamos polemizar esse post light xingando e apontando quem foi o melhor. O jogo iniciou muito bom mas depois do primeiro gol o Grêmio relaxou legal e o seu goleador, Barcos, ficou mais lento que uma tartaruga. Nesta partida não vou destacar um atleta, vou destacar o bom raciocínio do técnico Abel Braga, que se mostrou firme na posição de deixar Rafael Moura comandar o ataque sozinho e assim vencer de virada na casa do adversário com 2 gols. Mas isso já seria comentário jornalístico. Não?

Senti a aflição da garotinha de azul. Vi uma vózinha chorando. Vi torcidas brigando entre si. Vi vermelho sorrindo e azul chateado. Mas eu vivi tudo isso e tinha esquecido como era bom sentir o momento do torcedor. Sentir o coração bater mais forte. Gritar “uhhh!” e “não foi nada, seu juiz”. Essa sensação me aguarda com ainda mais ansiedade para a  Copa do Mundo. E neste dia, seremos todos por um só.

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