Vestiário faminto – Parte III

Imaginem a fina ironia: o maior líder da equipe colorada campeã do Mundo em 2006, sendo fritado por um vestiário que ganhou o Campeonato Gaucho em 2012.

Mais um ídolo que sai da beira do campo e volta para as arquibancadas.

Apesar de irônico, isso não tem nada de engraçado, nem mesmo uma pitadinha de humor negro. A situação atual (que não vem de agora) do vestiário colorado é preocupante. Na entrevista coletiva de despedida de Fernandão do cargo de comando, ele fez alguns desabafos, frases soltas que dizem muito a respeito de tudo o que ele passou – provavelmente desde a entrevista depois do empate com o Sport, dentro do Beira-Rio, onde ele falou da tal zona de conforto e mostrou um descontentamento com o desempenho e postura profissional de alguns jogadores.
Pra ficar mais claro e, quem sabe, evidente, vou elencar algumas fortes declarações do ex-técnico colorado.
-“Não vou mentir, mas vou omitir. Me reservo o direito de ficar calado”.
-“Aprendi que no futebol não se pode falar a verdade.”
-“A gente perdeu a linha de conduta.”
-“No papel estava maravilhoso. Mas nunca esteve, aqui dentro.”
-“Se eu tivesse tomado atitudes não levando em conta algumas amizades, as coisas talvez fossem diferentes. Eu errei.”
-“Acabei sendo amigo de quem não merecia”.
-“O meu grande erro foi depois da entrevista da zona de conforto. Eu deveria ter tomado algumas atitudes e não fiz.”
-“O vestiário tem que ser falado sobre direção, pelo vestiário. Você é verdadeiro, sincero, e acaba que tem vários caras. Alguns outros, que ficam no ar condicionado, só querem causar polêmica. Que eu fale alguma manchete. Pra dar notícia.”
-“Acabei fraquejando também, não tive a experiência necessária.”
Mais um ídolo “queimado” sem necessidade de fazê-lo. Claro que Fernandão não é vítima nisso tudo, ele tem a sua responsabilidade, lógico, mas já vimos que não foi ELE o problema. Assim como não era Dorival, não era Falcão.. Na minha opinião o vestiário do Inter precisa de uma implosão. E pra ontem! Mudar o técnico não vai ser a melhor solução enquanto houver jogador lá dentro que, por ter uma bom histórico no clube, acredite poder exercer algum tipo de liderança que extrapole aquela chamada “liderança positiva”.

Fernandão chorou na despedida. (Foto: Christiane Matos)

Eu preferi não acreditar quando ouvi a palavra “boicote” associada ao vestiário colorado, mas depois dessas declarações, e de ver Fernandão em lágrimas, não posso desconsiderar essa possibilidade. Lamentável um clube como o Inter estar passando por isso… e mais uma vez. Agora, que venha um treinador que coloque o “pé na porta” e assuma de vez o comando da equipe para 2013 começar tranquilo pelas bandas da Avenida Beira-Rio.
Um líder, um comandante, um técnico que mostre “quem manda” e uma limpa no vestiário, um encerramento de ciclos e, consequentemente, de contratos. É isso o que o Inter precisa para um 2013 melhor.

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