Censurado

23/04/2014

O assunto já está batido, debates já foram feitos, brigas assistimos e mesmo assim nada aconteceu. Não estou dizendo que sou contra mas também não citei aqui que sou a favor. Pelo lado brasileira de ser e pelo lado da minha vida jornalística, não posso deixar de comentar sobre esse vídeo:

Só ele já falou em poesia tudo o que o povo do Brasil está sentindo mas não tem coragem de falar. E eu também não tenho. No peito, eu bato com o punho e digo que quero ver a taça do hexa ser erguida. Mas no fundo, eu faço parte daquela gente que, mesmo com carteirinha de plano na mão, espera 2 ou até 3 horas para a saúde ser atendida. Eu tenho nas veias um sangue de um povo esperançoso que coloca fé em um evento gigantesco sonhando que seu país vai sim melhorar. No entanto, o que a gente está assistindo não é a diversidade de nações que pelo país irão colorir e encher a pátria de cultura e sim uma nação ser enrolada com mentiras e promessas.

Em Porto Alegre temos um Estádio sede, um projeto bonito, um povo contente. Do outro lado, vemos problemas com a mobilidade urbana surtar a população. Passar 15 dias sem ônibus, passar 15 dias sem ter como trabalhar. Passar 15 dias sem ter o direito de ir e vir.

Rio de Janeiro, cidade maravilhosa. Pólo esportivo e ponto de encontro de turistas fascinados por sua beleza. Mas ainda somos obrigados a ler notícias de que em um hospital universitário desta mesma cidade foi encontrado corpos de 40 bebês amontoados no necrotério.

São Paulo, maior cidade da América Latina. Como poderia ficar de fora da Copa do Mundo? Fácil, construa-se um estádio de 600 milhões que mesmo assim não livrou 3 pessoas do óbito.

Copa pra quem

País do futebol, 12 cidades sedes. Porém ainda não conseguimos lotar estádios, os ingressos custam mais de 100 reais. Faço uma pergunta para os chefes de Estado do Amazonas e Cuiabá, o que será feito com seus Estádios? Será que os 500 milhões gastos por cada local não teria um destino melhor? Não tem gente morrendo de fome na Amazônia né? Também não tem problema de saúde e gente passando mal com o calor no pantanal?

Casas empilhadas, desemprego crescendo 12%, 3 pessoas mortas por dia por causa da violência, cidades tomadas por fumaças, analfabetos, desigualdade social, racismo, homofobia… E mesmo assim a gente grita gol.

Sim, torcedor. Eu ainda estou contigo. Faço parte daquele núcleo que não sabe como pagar a conta do dia seguinte, mas parcela no cartão o ingresso do jogo. Sim, torcedor, eu te entendo. Sei que a vontade de mostrar o amor pela pátria mãe gentil é mais forte do que procurar um emprego e conseguir colocar comida em casa. Sim, torcedor, eu quero. Eu quero comprar aquela camiseta amarela e abraçar o cara do lado quando finalmente o espetáculo começar. Sim, torcedor, eu sei. Eu sou brasileira.


Estamos em silêncio

20/04/2014

Hoje a nossa voz emudece e apenas a de uma pessoa será ouvida. Aos jornalistas de hoje, aos de amanhã. Aos velhos e novos. Aos que ainda estão na faculdade e aos que já se aposentaram. Independente de qual for a sua caminhada jornalística, você já ouviu falar de Luciano do Valle.

Luciano do Valle Queirós nos deixou ontem (19 de Abril de 2014) ainda jovem, com apenas 66 anos. Falar aqui sobre o seu vasta currículo seria algo difícil para mim. Precisaria de outras mãos que me ajudassem a detalhar a sua trajetória, seria necessário vozes que narrem sua história, pediria lembranças que nos mostrem todos os ensinamentos que ele nos passou. Então vou ser diferente e vou dizer o que ele representa para mim, colega de profissão e também amante do esporte brasileiro.

Em minhas palavras, Luciano é futebol, vôlei e basquete. É Copa do Mundo, Olimpíadas e Pan Americano. É jornal, rádio e televisão. Mãos, vozes e visão. Pintou em cada novo profissional das redações um quê de “do Valle”, um quê de ousadia e originalidade. Ousado por fazer uma emissora passar 10 horas de notícias esportivas e original por dar à Geração de Prata o renome que é até hoje. Deixou ginásios mais lotados, partidas mais comentadas, estádios mais ligados e transmissões mais ricas. Foi o número 1, empresário e promotor. É referência? Sim! É, foi e será. Luciano, assim como outros grandes nomes em suas carreiras, também não morreu. Tudo que ele nos deixou ainda está aí. Páginas e páginas de lições que ele comentou e que, eu mesma, poderia transformar em livro para que mais jornalistas possam também aprender com esse mestre. Um mestre.

Citando Oscar Wilde “A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.” Luciano do Valle foi um cara que uniu os prós dos contras, não precisou do oposto para conseguir ser o melhor. Ele fez o simples e deu. E aí está o sentido do nosso sucesso no trabalho. Batalhamos para sermos bons e queremos fazer com que todos nos elogiem. Luciano de uma certa forma nos impôs isso pois para sermos como ele, temos um caminho longo pela frente e é bom a gente amarrar os sapatos e ir à luta.

Eu não participei do auge da carreira de Luciano do Valle. A minha geração do jornalismo ainda é crua e está sendo construída aos poucos, com o início dos anos 90. Mas agradeço a ele pelo legado que me deixou e pelas obras que poderei ouvir, ler e assistir para colocar mais um tijolo no meu caminho do jornalismo. A ti, Luciano, aonde quer que você esteja o meu muito obrigada e que você descanse em paz.

Lucianodovalle 


RIP Futebol brasileiro

19/04/2014

Sabe a saudade? Aquele sentimento que nos faz ficar com a boca seca, o coração apertado e a ansiedade lá em cima? É esse sentimento que o torcedor do bom futebol está sentindo nesse instante. Não só pelos valores exorbitantes de gastos seja com estádio, seja com salário. Também não me refiro aos tempos de Mané Garrincha, Pelé e cia ltda. Estou falando de decência.

Ontem presenciamos algo inenarrável no gramado, mas mesmo assim vou tentar descrever em um resumo. A Portuguesa entrou em campo na noite de sexta-feira para a partida válida pelo Campeonato Brasileiro Série B contra o Joinville, na cidade catarinense. Porém, aos 17 minutos do primeiro tempo a partida foi encerrada pelo delegado do campo Laudir Zermiani que trazia em mãos uma liminar que decretava que a Portuguesa não poderia seguir participando daquele jogo e nem por todo o campeonato. Neste ano, um torcedor da Lusa e também advogado conseguiu um ganho na justiça que devolvia para o time os 4 pontos perdidos na Série A do ano passado (pontos esses que fizeram o time ser rebaixado). O descumprimento dessa liminar poderia fazer com que a Portuguesa levasse um processo nas costas em razão de uma queixa crime. Moral da história: o bolo ficou tão abatumado que o time paulista corre o risco de ser punido e ir parar na Série C.

Não quero expôr aqui toda a história e o possível desfecho que essa novela irá levar. Quero questionar sobre o que está acontecendo com o nosso esporte? É triste termos que sentir saudade dos tempos que o futebol era simples. Que os jogadores não ostentavam dinheiro. Que o esporte não competiam com as propagandas. Que a função do atleta era alegrar o país com um gol e só. O que o povo todo assistiu ontem foi um episódio ocorrido no país que em menos de 2 meses vai receber a Copa do Mundo (irônia?). É lamentável um time como a Portuguesa ter que passar por esse sufoco e também vergonha de estar alinhado a uma tramóia que o homem proporcionou. O Campeonato Brasileiro de 2013 foi marcado por liminares, tribunais, justiça (ou a falta dela) e desespero.

Mas e agora? Será que os próximos campeonatos serão sempre assim? Será que teremos que assistir a mais julgamentos do que bola em campo? Será que é necessário pagar jogadores caríssimos para nada, já que quem define mesmo é o órgão responsável pelo futebol brasileiro? Não quero criar polêmico e nem cavar mais ainda esta ferida, quero colocar a minha voz na internet e mostrar que não estou satisfeita com o que eu estou vendo. Não quero aqui dizer que o Fluminense merecia cair ou que outros times conhecidos são sempre beneficiados no final. Quero ser a favor do bom e do melhor. Quero aplaudir um gol de placa, quero vaiar os carrinhos violentos, quero gritar “é campeão”, quero vibrar com a Seleção… Estou pedindo demais?


O vício

12/04/2014

A Copa do Mundo está chegando e é impossível não remeter esse acontecimento com um vício antigo: o de colecionar figurinhas. Sempre que penso no ato de completar um álbum da Copa, me vem na hora a música do Gabriel Pensador, Cachimbo da Paz. Principalmente na momento que é cantado o refrão “acende, fuma, prende, passa” pois o que fazemos é “compra, cola, contata e repassa” afinal o nosso ciclo vicioso é manter as figurinhas sempre em movimento. Já tem? Passa!

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Não por acaso está que vos fala hoje também é uma das pessoas que entrou nessa cadeia de compra e troca de figurinhas e não sabe como largar. Qualquer centavo que sobrou no bolso é motivo para ir até a banca e trocar por um pacote. Mas aí que está o problema. Cada pacotinho com 5 figuras está custando 1 Real. Meu mísero real suado, mas que é muito bem investido a cada rosto novo que surge ao abrir e grudar no meu livro de recordações.

Copa 2Minha frustração é ver que meus amigos de redes sociais, que também estão colecionando, conseguem tirar figurinhas fod** no mesmo pacote. Sério, isso é impossível para mim. Eu tive que comprar 50 pacotinhos (o que me levou uma onça da carteira) para conseguir tirar o Messi. Daí vem um cara no mesmo dia e posta que teve a honra de gastar apenas 1 real e ter nas mãos Xavi, Cristiano Ronaldo e o mesmo Leonel (o que eu tive que surtar para conseguir). Ôôô mundo injusto esse das figurinhas. Nada contra os jogadores da Bósnia ou do Sr Joel Campbell (jogador da Costa do Marfim) que já saiu 3 vezes nas minhas compras. Também não me importo de não conseguir tirar um Júlio César da vida ou o Neymar. Ok que eu só tenho apenas um jogador da Seleção Brasileira e que eu nem sei direito se ele será convocado (Ramires).

O bacana mesmo é ver que todos querem unir-se nesse mesmo joguinho. E dessa vez não tem nada a ver com aplicativos do iOS ou algo que envolva Facebook. Essa mania é feita dentro do ônibus, na frente das bancas, em pequenas reuniões de pessoas com bolos de figurinhas. Seja para guardar como uma lembrança da Copa que foi no Brasil, para continuar a fazer a mesma coisa que sue pai fazia quando tinha jogos de futebol ou ara memorizar com mais facilidade os nomes de tantas e tantas seleções que irão ser espalhadas por 12 cidades que o nosso país abriga. Por isso ou por aquilo, faça a sua coleção.

Ah, quem aí troca comigo? ;)


Aos que noticiam

07/04/2014

Nem sempre queridos, nem sempre admirados. Por vezes incompreendidos e também julgados. Se erramos é motivo de “chacota”, se acertamos não fazemos mais que nossa obrigação. Você pode nos ver através dos jornais, refletidos em um mundo de palavras que unimos para formar um texto. Ou talvez você reconheça a gente apenas pelo soar da nossa voz ao ligar o rádio. E como todo o bom profissional, hoje é o dia do jornalista.

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Você não sai de casa sem ouvir a gente. É conosco que você sabe se vai chover ou fazer frio. Também comunicaremos quais as ruas que não estão tão engarrafadas. Estaremos nos arriscando também para passar com clareza todas as novidades da guerra das religiões, dos problemas entre as UPPs com a favela, do tiroteio das 17h, do apedrejamento dos ônibus nas grandes capitais e mais diversas outras aventuras que a nossa profissão proporciona. Para passar a notícia correta, ficamos horas esperando a fonte colaborar. Madrugamos na frente da casa da notícia para ter certeza do que vamos transmitir. Tem colegas nossos que até já morreram durante o trabalho. Mesmo assim ainda somos chamados de imprensa mentirosa, influenciadores de mentes e imparciais.

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Tudo bem, concordo que temos momentos mais tendenciosos ou quando achamos que estamos corretos, queremos que você esteja do nosso lado, mas nada disso e feito por mal. Seja no stress da cobertura política, da formalidade quando o assunto é economia ou dos momentos descontraídos do esporte, estaremos lá de domingo a domingo. Ou você acha que aqui a gente tem folguinha de carnaval? Se escolhemos essa profissão foi para fazer do melhor jeito. Quem é jornalista no Brasil hoje em dia é por que tem muito amor à profissão. Ganhamos pouco mas nos divertimos muito. E o reconhecimento de um trabalho nosso é o melhor pagamento (quer dizer… Nem tanto). A gente sabe que cada pessoa se identifica com um jornalista. Seja ter a mania de ouvir o locutor toda a manhã, de ter a mania de ler a coluna do fulano ou acompanhar o blog de um certa garotinha. Seja aquele exemplo ou outro qualquer, espero que eu seja a referência para algum de vocês. 7 de abril, dia do jornalista.

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Chega de saudades

06/04/2014

Para escrever a crônica de hoje, me baseei em apenas um poeta para conseguir repassar tudo o que eu queria e concluir com perfeição tudo o que eu vi ontem. Não apenas por ser uma amante do bom futebol ou ter escolhido o jornalismo esportivo como profissão. Hoje, a postura do linguajar jornalístico deixarei de lado. Apenas vamos falar de amor. E para me ajudar nesse texto eu “convidei” o dono da letra mais propícia para esse momento: Lulu Santos – Casa.

Fazia muito tempo que aquele caminho não era percorrido. Fazia muito tempo também que eu só me sentia um convidado, um estranho. Estranho não no sentido ridículo ou feio. Estranho no sentido de que você não era dali. Mas tudo isso mudou, foi vertigem, foi realização. Foram 487 dias  distante do meu casarão. Mas no dia 5 de abril de 2014 eu fechei meus olhos e deixei o corpo ir. Afinal, como toda o vício, aquilo já estava fazendo falta no corpo na mente. Era um líquido que não passava mais nas minhas veias. Era uma vivência que eu precisava sentir novamente. Era saudade.

Ao me deparar com a casa pronta, tinta fresca, cheiro de novo fiquei com as mãos geladas. Encontrei os outros moradores lá também. Chorando. Beijando as plataformas que fixavam as membranas. Um mar vermelho. Era como a música que minha saudosa mãe escutava na sala de estar ao esperar os convidados, só que a melodia que embalava esse retorno agora era outra. Devagar e com ansiedade fomos adentrando no pátio do nosso lar. Ao pisar no primeiro degrau daquela escada e assim terminar de subir até o fim do caminho, levantei minha cabeça e me deparei com o céu. Era alto, era colorido, era grande, era Inter.

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“Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez…”

photo3As cortinas iriam subir quando terminasse a contagem regressiva. E quando finalmente a massa soou o número 1, as luzes foram acesas, o abraço veio caloroso. Me senti apertada com aquele calor que mexeu com todas as pessoas que estavam ali. A respiração ofegante de todos era o choro preso de quem sentia muita falta. Choro preso? Choro solto. Aquela água era a resposta positiva de que valeu a pena esperar. Ali perto de nós estavam milhares de pessoas deixando aquele retorno ainda mais especial, proporcionando dança e arte para todo mundo. Mas rever os velhos patriarcas na nossa frente contando histórias como se fosse um almoço de família e logo depois chegando para nos dar boas vindas. Não teve preço.

As vezes é tormenta pois tanta emoção assim não chega a caber dentro do peito e é necessário ter o bom amigo do lado para segurar a sua mão e mostrar que, realmente, aquilo tudo é verdadeiro. Eram 50 mil pessoas exalando emoção e mais não sei quantos amores dentro de uma pista lhe fazendo esquecer os problemas. Apenas se sentir em casa. Pois vamos combinar, não tem nada melhor do que a nossa poltrona, as cores que a gente escolheu, os vizinhos que queremos próximos. E claro, na vitrola tocava canções selecionadas por campeões da voz que souberam trilhar e escolher a melodia correta para cada momento. Seja dos badalados anos 70 com Blitz até a tecnologia dos arranjos musicais vindo de Fatboy Slim. “Bem vindos de volta” era apenas esse sentimento que regia.

Eu fui também e me senti em casa sim. Nós na condição de jornalistas também vivenciamos cada momento e cada angústia de todo e qualquer pessoa presente no local. E aquela também é a nossa casa. A cada domingo é lá que estamos e se sentir bem também é fundamental para nós. Estarei em cada lugar que um torcedor estiver e acredito que o poder da cor é necessário para nos sentirmos parte daquele lugar. Eu ontem vesti vermelho e também estou voltando pra casa de vez.

Quem vos escreve

Quem vos escreve


Profissão: torcedor

30/03/2014

Subi no trem, sentei no banco. Pensei: “hoje quero ser um deles”. Não é sempre que você, na condição de jornalista, passa a integrar o grupo dos torcedores. Ainda mais na camufla, como era a minha proposta. Me juntei à massa que se deslocava para à Arena no meio de milhares de pessoas animadas e confiantes. Hoje eu também quero ter essa sensação.

IMG_3598Vesti uma camiseta branca e uma calça preta (o que para mim estava completamente parcial). Este detalhe, por sinal, foi o primeiro item de uma final com clássico que incomodou meus companheiros de jogo. Todos se olhavam. Se eu pudesse ler o pensamento, conseguiria visualizar aquela nuvem em cima da cabeça deles dizendo assim: essa daí veio a passeio. Em um Gre-Nal, preferi adentrar na torcida da casa para evitar um possível tumulto diante dos visitantes. Notei que os portões eram nomeados com as letras do alfabeto, porém na Arena não existe o portão de letra “I”. Sinceramente, acho engraçado essa rivalidade levada tão a sério. Passei a roleta, cheguei no estádio. Por um momento me senti um peixe fora d’água mas quis ir até o fim na minha decisão.

Como a proposta era curtir aquelas horas como torcedora, não deixei de comprar um lanche com refri. Sentei (num acento que não era meu no qual tive que sair dali depois), comi, me sujei de molho e relaxei. Avistei alguns colegas de imprensa trabalhando no gramado. Sorri e tentei dar um tchauzinho discreto com a mão. Notei que um homem acima do peso me cuidava com os olhos. Foi aí que decidi ficar quieta na minha e relaxar. Não foi tão difícil, afinal o DJ da Arena estava inspirado. No telão, shows de Rollign Stones e Foo Fighters. em torno de 5 minutos antes de começar o jogo resolvi comprar aqueles copinhos de água, pois o calor que fazia no dia de hoje, era algo absurdo. Mas mais absurdo era cobrar 3 reais por dois goles de água. Entrei no clima. Reclamei da inflação do lanchinho, discuti com o vendedor de bebidas, só não xinguei o juiz por que daqui uns dias vou precisar entrevista-lo. Não dá para fugir da tua vida.

IMG_3597Ahh mas teve o jogo. Sim, a partida. Foi estranho para mim ver o Edinho de azul. Assim como avistar o Dida, que até ano passado defendia o Grêmio, estar na goleira do Internacional. E nem por isso o nome dele foi o mais vaiado na hora da escalação. Foi D’Alessandro, claro. Mas esse Gre-Nal não foi o camisa 10 que brilhou ali. Tá, não é segredo para ninguém que o Inter venceu o primeiro jogo da final e não vamos polemizar esse post light xingando e apontando quem foi o melhor. O jogo iniciou muito bom mas depois do primeiro gol o Grêmio relaxou legal e o seu goleador, Barcos, ficou mais lento que uma tartaruga. Nesta partida não vou destacar um atleta, vou destacar o bom raciocínio do técnico Abel Braga, que se mostrou firme na posição de deixar Rafael Moura comandar o ataque sozinho e assim vencer de virada na casa do adversário com 2 gols. Mas isso já seria comentário jornalístico. Não?

Senti a aflição da garotinha de azul. Vi uma vózinha chorando. Vi torcidas brigando entre si. Vi vermelho sorrindo e azul chateado. Mas eu vivi tudo isso e tinha esquecido como era bom sentir o momento do torcedor. Sentir o coração bater mais forte. Gritar “uhhh!” e “não foi nada, seu juiz”. Essa sensação me aguarda com ainda mais ansiedade para a  Copa do Mundo. E neste dia, seremos todos por um só.

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O que é que o gaúcho tem

28/03/2014

15146078Charmoso Gauchão. Sai ano, começa ano e lá estamos nós disputando mais um Campeonato Gaúcho. Ganhar é obrigação, perder é vergonhoso. Mas uma coisa todos nós nos perguntamos: Por que és tão feio?

Oras chamado de ruralito, estadual, campeonato do interior, entre outros sinônimos, o nosso torneio é sim um show de diversificações. Busquei saber o que que temos de tão bonito e elegante que a mídia apelidou de charmoso. Aliás, o que é charmoso? Bom, se tratando de gauchismo, essa resposta é fácil. E dentre tantas explicações, o difícil é saber qual a razão do nosso charme.

Aqui falamos goleira, sinaleira, negrinho, cacetinho, bergamota… Você aí de outro Estado, por acaso sabe o que é uma lomba de verdade? Ratiamos, loquiamos, chaveamos. Verbos que incluímos no nosso diversificado vocabulário. Talvez o nosso jeito cantado de falar é que nos deixa com aquele charme particular. “Mas capaz?”  “Te abriu, né?” “Que barbaridade!” são apenas alguns dos nossos dizeres diários que faz o nosso sotaque ser inconfundível.

Não poderia deixar de remeter charme com beleza, pré requisito básico para se nascer aqui. Modelos, apresentadoras, cantoras, miss… De tudo temos aqui. Exportamos vencedoras por sua boniteza para o mundo inteiro, afinal, quem nunca ouviu falar de Gisele Bündchen, Fernanda Lima ou Xuxa? Nossas prendas diretamente de todos os nossos cantos mais baguais. Salve Santa Rosa, Horizontina, Caxias do Sul, Porto Alegre. Ahhh, essas gurias!

mulher-gaucha-bernadeteOutro fato a se destacar é o nosso bairrismo aguçado que aqui abrigamos. Bater no peito e dizer que é faca na bota, xirú bagual e xinoca véia. Esperar o peão com um mate bem amargo com a água pelando. E na churrasqueira uma costela gorda para comemorar. Mas nada disso seria tão bom se não tivesse aquele abraço. Ôôô terra boa de gente calorosa. No Rio Grande do Sul sabemos dar um forte abraço com tapas nas costas que esquenta até cusco arriado no frio da serra. Para completar, solta na vitrola uma das milhares de cantigas dos Fagundes, Teixeirinha e a gaita tradicional do Renato Borghetti. Ao entardecer a mulher sai com um carreteiro campeiro para reunir a gauchada. E se o guri quer se engraçar com a prenda mais nova, é melhor o piá saber assar uma carne, senão nem se apresenta.

Por último e não menos importante, somos bons e bonitos no futebol. Times campeões. Times selecionados. Times que jogam com uma torcida apaixonada e com um pôr do sol de 5 cores que agraciam nosso show. Aqui quem não sua e não sangra não tem vez. Aqui quem não comete falta e não grita pode fazer as malas. Aqui quem não chora e não pula não vai ao estádio. E aqui quem não reclama do juiz, não é daqui. Canela roxa, supercílio aberto, pé torcido são coisas comuns. Achamos isso bonito? Sim, nós achamos!

Se por um minuto ainda duvidava do apelido que nosso campeonato recebeu, agora não tenho mais. Pode ser que na minha ingenuidade tenha esquecido de citar mais algum motivo de sermos tão belos e elegantes. E nesta final de gauchão, iremos fazer o mais bonito dos clássicos. O mais glorioso das finais. O melhor Gre-Nal de todos. Neste domingo e também no próxims, sejamos charmosos. Sejamos gaúchos. Honremos o nosso Charmoso Gauchão.


Aos trancos e barrancos, Porto Alegre

26/03/2014

Ahh Porto Alegre. Cidade tão calorosa e acolhedora que tanto nos deixa orgulhoso. Seu céu azul deslumbrante mantém o brilho vivo de um clube que estampa em seu passado o poder magistoso de uma história de conquistas. Uma história que contempla suor castelhano, língua estrangeira e não diferente disto orgulha-se de ser o primeiro gaúcho a ganhar a América. Do outro lado leva no seu sangue vermelho vida, vermelho guerra, o mesmo vermelho do clube que traça em seu livro a dedicação dos seus primeiros peões, dos seus cansados homens e que hoje são a alegria de milhares de pessoas. É, Porto Alegre, você caprichou no nosso presente e não seria diferente no dia de hoje o nosso sincero parabéns.

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Mas não. Hoje seremos impares.

O que está acontecendo com a nossa cidade, que hoje completa honrosos 242 anos, é a imensa enrolação que o povo gaúcho está assistindo tendo que assistir de camarote. No início da semana foi vomitado da boca dos nossos governantes (e falo nosso por que me sinto na obrigação de dar posse ao que não se deve competir a tal altura) que esta cidade poderia não abrigar a Copa do Mundo. Bem, condições ninguém neste país tem, mas o real motivo de tal ameaça ser feita foi referente à aprovação das isenções fiscais em prol da construção das estruturas temporárias. Ontem (24/03) o plenário aprovou, com 31 votos favoráveis e 19 contrários, o projeto que prevê a concessão de incentivo fiscal de até R$ 25 milhões a quem financiar as obras do entorno do Estádio Beira Rio.

Mas espera aí só um pouquinho. O povo está pensando que o dinheiro público vai retornar ao bolso de vocês? Vou “largar a barbada”, essas isenções não competem para o Estado todo e sim para uma partezinha dele. Também não se engane achando que o Sport Club Internacional sairá de patrão nesses transmites que de bom ali pouca coisa vai sair. Ficar um ano e tanto sem estádio, quase ser rebaixado naquele ano, ficar sem torcida por vários jogos, pagar uma fortuna por novas reformas, dividir por 20 anos o espaço, que sempre foi seu, com uma empreiteira. Mas no final, a Copa acaba no pão e circo e disso que o bom brasileiro gosta.

Sou jornalista, trabalho com esporte, amo eventos grandiosos. Trabalhar na Copa do Mundo é sim um sonho, mas não sou a favor da Copa. Sou a favor da vida. De repente, aqueles mesmo guerreiros de alma estrangeira e de sangue guerreiro citados no início deste mesmo texto devam se unir e pedir de uma vez por todas o retorno dos incentivos fiscais acometidos por toda a sua carreira.

Ué, agora isso não vale? Para quem ainda não sabe o que comentar disto tudo, deixo um vídeo super bacana abaixo para que os amigos postem sua opinião linda, elegante e sincera.

Beijos


Separados na maternidade

10/02/2014

Ontem foi dia de Gre-Nal, ou seja, a maioria da gauchada estava na frente da tv ou com o ouvido colado no rádio às 19h30.

Mas apenas quem viu os lances pela telinha pode constatar uma coisa. A aparência do goleiro Muriel. Você, torcedor colorado, está acostumado com esse visu aqui, não é?

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Mas no domingo a gente viu uma figura em campo que nos fez voltar no tempo. Mais precisamente entre 2009 e 2010 quando um certo camisa 9 jogava no time do Saci.

irmãosSério gente, não é possível que só eu tenha achado que o Muriel, com esse novo “penteado” tenha ficado a cara do Alecsandro.

 


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